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sexta-feira, 27 de julho de 2012

A primeira vez de Dorival: gestos, pressão e saída com roupa do corpo


À beira do campo um dia após o acerto, técnico fica em pé durante 90 minutos, ouve vaias para o time e deixa Engenhão ainda uniformizado

Exatamente às 20h52m desta quinta-feira, Dorival Júnior subiu as escadas do vestiário para o campo do Engenhão vestido com o uniforme da comissão técnica do Flamengo. Um dia depois de acertar com o clube até o fim de 2013, eram os primeiros passos do novo treinador no comando do Rubro-Negro. Depois de ser cercado por jornalistas, ele se dirigiu à área técnica, não teve seu nome gritado pela torcida, mas logo nos primeiros segundos já orientava o time. Ele passou os 90 minutos em pé na área técnica, andou de um lado para o outro, gritou, gesticulou. E viu de perto que terá muito trabalho pela frente. A primeira vez de Dorival terminou com vaias de torcedores para a atuação apagada e com o coro de "time sem vergonha".

- Temos que encontrar o caminho das vitórias e nos aproximarmos dos líderes. Para mim é uma oportunidade, agradeço a confiança depositada - afirmou Dorival, em suas primeiras declarações como treinador do Flamengo, antes de a bola rolar.

O jogo começou, Dorival caminhava pela área técnica e tentava acertar o posicionamento da defesa. Ele se comunicava com um dos auxiliares que estava na cabine através de um rádio plugado ao ouvido. O treinador pedia melhor posicionamento no setor defensivo, maior marcação no meio-campo e um time mais compacto.

Aos poucos, Dorival se soltou. O treinador gritou, gesticulou, cruzou os braços, levou as mãos ao rosto. No fim do primeiro tempo, ele já teve noção da impaciência da torcida com o time, que desceu para o vestiário vaiado por parte dos torcedores.
O Rubro-Negro voltou com Renato na vaga de Ibson. E com Dorival - que declarou que o time precisava ficar mais compacto - orientando a equipe desde o início. Aos 10 minutos, ele pediu para os jogadores que estavam na reserva intensificarem o aquecimento. Pouco depois, colocou Thomás no lugar de Mattheus. Ao deixar o campo, o jovem jogador foi aplaudido pelo treinador.

Aos 24 minutos, Dorival recorreu a Jaime de Almeida para colher informações. Bottinelli foi chamado, conversou rapidamente com o treinador e entrou na vaga de Adryan. O time pecava na armação de jogadas, deixava espaços entre os setores e pouco produzia. Em um dos ataques da Portuguesa, Dorival caminhou, caminhou, saiu da área técnica, parecia que entraria em campo, mas recuou e se desculpou com o quarto árbitro. Pouco antes de descer para o vestiário, o novo comandante deixou transparecer em seu semblante um ar de preocupação depois do apito final,.

No fim, com o empate em 0 a 0, a torcida vaiou a equipe que amarga três jogos sem vitórias, sendo duas derrotas. E das arquibancadas surgiram os gritos de “time sem vergonha”.



Elogios a Zinho, fotos e sorrisos

Depois do jogo, Dorival Júnior concedeu sua primeira entrevista coletiva, que durou 20 minutos. Sem a presença de nenhum dirigente, o treinador ouviu diversas perguntas com a palavra pressão. Sereno, o técnico incluiu “trabalho” em várias de suas respostas, foi franco e antecipou que o time ainda irá oscilar muito no Brasileirão. E lá estava a palavra trabalho. E pressão.



- Teremos muitas oscilações durante o campeonato, e gostaria de deixar isso bem claro. O torcedor vai ter que tentar entender, sei que é difícil. Queremos brigar por melhores posições, temos que trabalhar com mais intensidade em todos os sentidos. Temos que começar a melhorar, chamei a atenção ali dentro (do vestiário). Disse que melhorando individualmente cada jogador dará uma colaboração efetiva para a melhoria do conjunto. Pressão sempre vai existir, mas eu chamo o torcedor para que não se vire contra a equipe, senão as coisas ficarão ainda mais difíceis - disse o novo técnico do Flamengo.

Dorival explicou a decisão de já ir para a beira de campo:

- Gostaria de estar em campo para sentir um pouco mais. De cima (na tribuna), você tem uma visão mais global, mas ali embaixo tem o sentimento do que o atleta está te passando.
Em certo momento, o técnico foi questionado sobre a política conturbada do clube, vazamento de informações, pressão da torcida, demissões de treinadores. Dorival, então, exaltou o trabalho do diretor de futebol do Rubro-Negro.

- Natural que seja um quadro que preocupe. Mas gostaria de colocar uma coisa. Poucas pessoas conhecem o valor, a hombridade e o caráter desse rapaz que hoje está à frente do clube, o Zinho. Merece todo crédito possível. É uma pessoa que sempre tive como exemplo, sério e com objetivo de mudar alguma coisa que esteja sendo conduzida de forma errada dentro de um grande clube como o Flamengo. Ele quer mudar algumas coisas. Vamos dar tempo e acreditar. Oscilaremos e muito, mas encontraremos um caminho - disse Dorival.

Na última pergunta, novamente foi colocado em questão o fato de Dorival assumir um clube que é um constante caldeirão.





- Quando vim para o Vasco falaram a mesma coisa. Vim para o Flamengo sabendo das dificuldades que passaria, mas estou disposto a enfrentar - completou, encerrando a entrevista coletiva.

Dorival Júnior deixou o Engenhão ainda de rubro-negro, com o uniforme da comissão técnica que usara na partida. O treinador foi solícito, posou pacientemente para fotos com diversos torcedores e sorriu.

Ele vestiu a camisa. E a primeira vez como técnico do Flamengo ninguém esquece: é pressão.

fonte globo.com
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