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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Patricia Amorim: “O futebol é perverso, e a formação dele já vem errada”



Presidente do Flamengo, Patrícia Amorim teve grande experiência com o mundo olímpico antes de entrar na política e no futebol. Foi atleta e integrante da delegação brasileira que disputou os Jogos de Seul, em 1988, na Coreia do Sul.

A presença naquela edição encerrou um jejum de 16 anos sem participações de nadadoras do país em edições olímpicas. Doze anos depois, iniciaria sua carreira política como vereadora do Rio com discurso de ajudar a desenvolver o esporte.

Em 2009, foi eleita presidente do Flamengo e teve que passar a lidar com o lado dos bastidores do futebol, com o qual diz ter se decepcionado. Esta semana está em Londres, onde acompanha alguns atletas do Flamengo que fazem parte da delegação brasileira, como Cesar Cielo.

Mesmo de olho em tudo o que acontece no clube carioca, a volta ao mundo olímpico parece espairecer a mente da dirigente.

“Para quem é do bem, como eu, existe uma dificuldade monumental, monstruosa. Porque é todo dia um leão, é matar um leão por dia. O meio do futebol é um meio muito comercial. A sensação que temos às vezes que vemos o jogador beijando a camisa é para ele saber em que time está jogando. Não tem aquela coisa mais sentimental”, falou ao UOL Esporte.

“Quando você está em uma Olimpíada, sente mais o espírito olímpico, uma coisa bonita, o sentimento. No futebol não tem mais isso. É muito pouco. [O mundo olímpico é] muito mais, infinitamente mais puro. O futebol é perverso, e a formação dele já vem errada. Não acho que ele estão errados, eles simplesmente acham daquela forma”, continuou.

Ao lado de um de seus filhos, ex-nadadora demonstrou confiança que Cielo possa fazer uma boa prova e levar o ouro nos 50 m livre nesta sexta-feira. “Acho que ele fez o que se propôs a fazer. Nos 100 m foi o que esperava. Nos 50 m ele está indo muito bem e se tudo ocorrer dentro da normalidade, pode disputar a medalha. E o Bruno [Fratus] também”, falou.

Sobre futebol, Patrícia disse estar confiante que o novo técnico da equipe, Dorival Júnior, consiga realizar um bom trabalho. Lembrou que o treinador já trabalhou com uma base jovem em clubes anteriores, como em sua passagem pelo Santos. Mas reiterou que ele precisa de paciência.

“Eu estou [esperançosa]. Metade do nosso é time de garotos. E tem a turma dos trinta e poucos. É um time difícil de equilibrar. É uma juventude que não está pronta com um pessoal que já está no finalzinho. É o time do técnico bom para isso”, falou.

“O trabalho com esporte não é imediato. No esporte coletivo então, demora mais. Até encaixar o time, encaixarem as peças. E o torcedor precisa entender.”

Fonte: Uol
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