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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Missão de Bap: fazer o Fla, 'barrigudo e careca', conquistar Gisele Bündchen

Futuro vice de planejamento e marketing destaca decisão de mergulhar no dia a dia do clube: 'A paixão que sinto pelo Flamengo nunca me fez mal'


Por Janir JúniorRio de Janeiro



Presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, 50 anos, está acostumado a lidar com frieza no mundo dos negócios. Mas, quando se trata de Flamengo, o clima esquenta. A paixão - misturada aos últimos anos de decepção - fez com que ele organizasse o grupo que saiu vitorioso nas eleições do dia 3 de dezembro, com o presidente Eduardo Bandeira de Mello. Mais do que vice de planejamento e marketing da nova gestão, Bap, como é conhecido, será o principal pilar na tentativa de reestruturação do clube. Credibilidade, trabalho, organização e profissionalização do futebol, aproximação e ajuda do torcedor. Essas são diretrizes para que um dia a fábula do “baixinho, careca e barrigudo que paquerou a Gisele Bündchen” termine com final feliz.

- Quando você tem a sorte de ter o sucesso que eu alcancei, você se distancia de coisas básicas na vida. Muita gente me dizia: “Pô, você é um cara de sucesso, por que não tira essa coisa de Flamengo da cabeça?”. As pessoas falavam de Flamengo como se fosse cocaína, crack, álcool, como se fosse um vício. Eu acho que há coisas que te destroem, e há coisas que te fazem mais forte. A paixão que sinto pelo Flamengo é mais forte do que isso, e nunca me fez mal. Sempre me fez mal, ainda mais nos últimos anos, foi o fato de ver que o Flamengo era maltratado. Sei que ganhar ou perder é da vida. Você não pode ganhar tudo. Mas a forma como perde fala muito de você. Acho que a forma como o Flamengo vem perdendo nos últimos anos, onde já espera perder, toma uns sacodes como foi com a La U (4 a 0 pela Sul-Americana, em 2011), dentro do Engenhão. Isso não é aceitável. Tem que ter vergonha na cara para tudo que vai fazer na vida. Então, decidi me envolver com isso – disse Luiz Eduardo Baptista.


Apaixonado pelo Flamengo, Luiz Eduardo Baptista foi o principal articulador da Chapa Azul e é o pilar na tentativa de reconstrução do clube (Foto: Janir Júnior/Globoesporte.com)

No primeiro momento de envolvimento a sério com o clube, Bap acreditou que era possível mudar. E cita como exemplo o caso de um humilde segurança de São Paulo que, mesmo com salário reduzido, estendeu a mão para o Flamengo. Ao lembrar da história, ele chora.


- O que percebi: um mundo de gente, uma maioria silenciosa saindo dos buracos. Estava com um ex-jogador de futebol na minha casa em São Paulo. Um segurança da minha rua reconheceu o jogador. Quando o cara foi embora, ele disse: “seu Bap, posso falar com o senhor? Você que está envolvido com essa história do Flamengo...” Isso em São Paulo, hein. “O senhor assumindo lá, vê se salva o nosso Mengão. Eu vou botar 10 real por mês lá.” Você escuta um negócio desses... Esses R$ 10 para esse cara, quanto vale isso? Você dá dinheiro para quem não acredita ou para quem é bandido? Não. O maior desafio da gente é a credibilidade. Essa história foi muito emblemática. E, para mim, foi como um despertador, uma responsabilidade enorme. O cara está dizendo: “Eu boto dinheiro em vocês. Não boto no Flamengo, mas boto em vocês, sei que são do bem". Isso coloca tua responsabilidade num nível diferente. Estou com 50 anos, trabalhando 20 horas por dia e me sentindo como se tivesse 18, porque estou dando vez à minha paixão. A gente vai trilhar esse caminho, vai materializar tudo pelo Flamengo, nada do Flamengo. Vamos transformar esse lema em atitude – destacou.

Para ter credibilidade, Bap recrutou nomes como Carlos Langoni, ex-Banco Central, que ficará responsável pelo Comitê de Finanças e Reestruturação da Dívida, Rodolfo Landim (vice de patrimônio), Wallim Vasconcellos (vice de futebol), entre outros. Ele explica a ideologia por trás da montagem do grupo que formou a vencedora Chapa Azul:


- O que aconteceu no grupo foi que as pessoas tinham receio do nível de comprometimento que teriam. Eles têm outros compromissos. Quando expliquei ao Langoni como ia funcionar, ele foi o primeiro a dizer que ia contribuir. Uma coisa legal no nosso grupo é o que eu digo: o combinado não é caro. O Flamengo precisa muito de ajuda. Qual ajuda você pode dar? R$ 1? Muito obrigado. Qual ajuda você pode dar? Ligar para o Paulo Pelaipe (diretor executivo) e me apresentar a ele? Muito obrigado. Conseguir dois militantes para trabalhar na causa? Muito obrigado. Quer dar R$ 100 mil para a campanha? Obrigado. A gente nunca qualificou as contribuições. Qualquer contribuição é muito bem-vinda. Um ponto importante: perceber a seriedade das pessoas. Apesar da paixão, ninguém queria dar o passo maior do que a perna, até para não quebrar o cristal da cumplicidade e confiança que existe no grupo.

O atual panorama do Flamengo deixou a situação feia. Mas ainda com direito a sonhos de grandes conquistas, e, quem sabe, um Natal bacana como num conto da Bela e a Fera.


- No primeiro momento, é muito trabalho para tentar entender o que está acontecendo. Do meu ponto de vista, a transição está sendo surpreendentemente tranquila, mas ainda tem muita coisa para a gente tomar pé. Sou eterno otimista: eu miro na Lua, pois, se errar, eu acabo no meio das estrelas. Eu penso alto, temos que ser agressivos, mas não irresponsáveis. Há apostas que você faz que podem dar ou não retorno. Da situação que o Flamengo vem, eu me sinto assim: um gordinho, baixinho, meio careca cantando a Gisele Bündchen. Ela olhou para mim e sorriu. Não sei se ela está me sacaneando ou dando mole. Se estiver dando mole, quem sabe o Flamengo tenha um Natal bacana – disse.

O dirigente cita outros clubes que estão à frente do Flamengo na projeção para 2013. E, para provar a falta de credibilidade do clube na atualidade, Bap lembra o caso do zagueiro Juan, que durante a atual temporada voltou da Itália, chegou a negociar seu retorno para o Flamengo, mas acertou com o Internacional.

- Eu reconheço que a gente tem que fazer esforço, mas não é fácil. É muito mais fácil para um time como o Fluminense, que foi campeão, um time como o Inter, que tem tradição de cumprir os seus compromissos, como o Grêmio, o Atlético-MG, conseguirem alguns jogadores. Exemplo foi o que aconteceu recentemente. O Juan foi cria da Gávea e preferiu jogar no Inter. Isso sangra na alma, mas, se olhar pelo lado racional e profissional, o que você diria para um irmão seu? Eu diria para jogar no certo. Agora, temos que contar com nossa lábia, conseguir encantar a moça, e a moça pode gostar da gente, dar um sorriso, ir embora e não dar em nada, mas a gente tem que começar o processo. A gente ganhou a eleição numa segunda-feira, à meia-noite. Em pouco tempo, fizemos uma grande quantidade de contatos e conversas – disse Bap.


O dirigente admite que o Flamengo começou atrasado o atual planejamento Com vasto repertório de frases de efeito, metáforas e muitas histórias para contar, Bap guardou mais uma para a saideira, ao dizer que é possível acreditar num final feliz:

- Vamos ver como as coisas vão evoluir. Entendo claramente que estamos começando atrasados. Se fosse uma corrida de carro, diria que estamos largando dos boxes. Mas vai que acontecem duas ou três bandeiras amarelas? Se deixarem a gente chegar... Quando o Mengão chega, ele vai te pegaaaaar....

Gisele Bündchen que se cuide.




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