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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Meio bilhão no caminho da governabilidade do Flamengo




Clube prioriza regularização de débitos de R$ 450 milhões com a União

Dívida total pode chegar a R$ 600 milhões


CARLOS EDUARDO MANSUR



Leonardo Moura e Rafinha controlam bolas na ponta dos dedos durante o treino no Ninho do Urubu: os dois estarão em campo contra o Olaria Márcio Alves / Márcio Alves


RIO - Para ordenar sua vida financeira, o Flamengo tenta tirar do caminho um problema de quase meio bilhão de reais. Em campo, o time que neste sábado enfrenta o Olaria, às 18h30m, em Volta Redonda, vem colhendo resultados. Só que o faz num clube que ainda não consegue prever a entrada de recursos, a incidência de penhoras e não é elegível para captar investimentos de estatais ou via leis de incentivo. Tudo por não ter a Certidão Negativa de Débito (CND), que virou prioridade do clube. Somente as dívidas públicas que impedem a emissão do documento somam R$ 450 milhões. O total de débitos fiscais passa de R$ 500 milhões.

A auditoria da Ernst & Young está concluindo seu trabalho, que aponta para um total que deve rondar R$ 600 milhões, entre dívidas públicas e privadas. Em entendimentos com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para conseguir a CND, o Flamengo pagou, em 45 dias, cerca de R$ 25 milhões em impostos. O objetivo é mostrar ao órgão que está disposto a cumprir seus compromissos.

Nos próximos dias, o Flamengo entregará uma proposta de acordo à Procuradoria. Nela, fixa um valor mensal a ser pago, em troca da emissão da certidão. Para dar sinais ao governo de que quer romper com a tradição de mau pagador, se propõe a oferecer como garantias seus contratos de patrocínio e até o terreno do CT do Ninho do Urubu.

- Não é só obter a Certidão Negativa de Débito. É obter e manter. Estamos elaborando uma proposta dentro da realidade do clube, algo que possamos cumprir. É uma proposta de longo prazo - explica Rodrigo Tostes, vice-presidente de finanças do Flamengo.

Sem controle

Regularizar a situação fiscal e conseguir a certidão permitiria ao Flamengo fomentar os esportes olímpicos com leis de incentivo. Hoje, as modalidades não são sustentáveis. Além disso, interromperia a incidência das penhoras de valores mais altos. Por fim, permitiria contratos com estatais. O patrocínio da Caixa Econômica Federal, com valores próximos de R$ 35 milhões, é uma possibilidade real que está na mesa, mas o Flamengo não é elegível para recebê-lo.

Os esforços para ordenar a situação fiscal do clube retratam um histórico caos administrativo. A primeira atitude da nova diretoria foi procurar a PGFN. Nas primeiras reuniões, o órgão se disse sem condições de informar o montante da dívida. O clube também não tinha controle sobre o que já fora pago e o que era devido. Aos poucos, descobriu-se que o recolhimento de Imposto de Renda que incide sobre salários, por exemplo, não acontecia há cinco anos. Há um ano, o Flamengo deixara de quitar as parcelas de programas de refinanciamento de dívidas como o Refis e a Timemania. Estava ameaçado de exclusão, o que faria, imediatamente, incidir uma penhora de R$ 167 milhões, capaz de inviabilizar o clube.



Para “convencer” a PGFN de que o clube irá cumprir compromissos, a quitação de impostos virou prioridade. Todas as parcelas atrasadas de Refis e Timemania foram pagas, assim como outras dívidas fiscais em fase de execução. Além disso, o clube tem exibido documentos comprovando o recolhimento de todos os impostos neste ano. Ontem, foram pagos aos jogadores os dois meses de salários que estavam em atraso. A questão dos direitos de imagem do grupo ainda não tem data para ser paga. A dívida, dependendo dos jogadores, oscila entre três e quatro meses.

- Até mesmo para conseguir um investidor privado, a Certidão Negativa de Débito abriria portas. É uma chancela de que vale a pena investir no clube - diz Tostes.

Dois Montillos em impostos

A diretoria costuma usar imagens para explicar a razão dos investimentos tímidos no futebol, mostrando que a regularização fiscal virou prioridade. Por exemplo, dirigentes comentam que os R$ 25 milhões pagos em impostos permitiriam ao clube ter contratado “dois Montillos”. No entanto, seria impossível garantir que o argentino receberia seus salários em dia.

Nesta sexta-feira, no Ninho do Urubu, o técnico Dorival Júnior concluiu a preparação do time que joga com o Olaria, neste sábado, em Volta Redonda, às 18h30m. O jogo é, na prática, um amistoso. O Flamengo já garantiu não só o primeiro lugar do Grupo B da Taça Guanabara, mas também a melhor campanha entre todos os clubes participantes do torneio. Com isso, terá vantagem do empate na semifinal e, caso se classifique, também na decisão do primeiro turno.

Elias será poupado para melhorar sua condição física antes da semifinal. Em seu lugar, Renato voltará a ter uma chance como titular. Já o atacante Gabriel, que veio do Bahia, começará no banco de reservas. Caso entre, fará sua estreia pelo Flamengo. Ele passou por um trabalho de fortalecimento muscular desde que chegou ao clube. O restante do time deverá ser o titular, já que o treinador não quer perder o conjunto que a equipe ganhou no início desta temporada.

Olaria x Flamengo

Horário: 18h30m

Local: Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda

Olaria: Moreno, Lucas, Cléberson, Rafael e Calisto; Assis, Victor, Lenine e Léo Rocha; Waldir e Leandrão.

Flamengo: Felipe, Leonardo Moura, Wallace, González e João Paulo; Cáceres, Ibson e Renato; Rafinha, Hernane e Carlos Eduardo.

Juiz: Philip Gerorg Bennet.




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