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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Zinho pede a jogadores do Flamengo que evitem festas com Adriano

Enquanto tenta blindar o grupo do Fla, diretor administra informações sobre atletas em noitadas com o Imperador: ‘Uns têm controle, ele não tem’


Por Richard SouzaRio de Janeiro

Zinho concede entrevista no Ninho do Urubu
(Foto: Richard Souza / Globoesporte.com)

Noite e álcool são combinações bombásticas para Adriano. A carreira do atacante foi marcada por indisciplinas fora das quatro linhas. No seu retorno ao Flamengo, não tem sido diferente. Na tarde desta segunda-feira, o atacante recebeu a terceira advertência por falta em quase um mês. O clube teria o direito de rescindir o vínculo, mas o diretor de futebol Zinho decidiu dar a última chance ao Imperador. A decisão de seguir no clube está com o jogador, que deve dar uma resposta ainda hoje. Caso seja positiva, terá de aceitar a ajuda de um profissional especializado para tratar de suas condições emocionais.

Zinho diz também que pediu a ajuda de alguns atletas do grupo. Adriano perdeu atividades desde sexta-feira à tarde. Dois dias e meio no total. Na sexta, o jogador ligou para Zinho e pediu liberação para resolver problemas particulares. No sábado pela manhã, porém, nem a voz do jogador foi ouvida. Por SMS, ele explicou ao diretor de futebol que não estaria presente, inclusive no domingo. Horas antes, com a presença de outros jogadores do elenco, o atacante foi visto em uma boate na Barra da Tijuca, bairro onde mora.

- Aos que são mais chegados, peço para ajudar, para não convidar para momentos de lazer. Uns têm controle, o Adriano no momento não tem. Mas isso está sendo muito bloqueado no dia a dia do trabalho. Passei para o Adriano que o que cheguei aqui e implantei, de profissionalismo, de conduta, o meu grupo está 100%. O ambiente de grupo, de conduta dos atletas, de envolvimento, de comprometimento, é sensacional – afirmou o dirigente.



A informação da presença de Adriano na festa chegou até a comissão técnica, que se mostrou incomodada com a possibilidade de a nova falta ter sido fruto de deslize do Imperador fora das quatro linhas. Zinho tem tentado fazer com que as polêmicas que cercam o atacante não cheguem ao time, que busca uma recuperação no Campeonato Brasileiro. O técnico Dorival Júnior tem sido consultado sobre o caso do camisa 10, mas não participa diretamente da decisões.

- Preferi tirar o Dorival disso, ele tem que ficar preocupado com os atletas que estão à disposição, mas obviamente conversei com ele. Dorival não tem necessidade de se desgastar. O jogador não trabalha integralmente com ele, mas ele está participando nos diálogos comigo.

Depois da conversa que teve com o jogador na tarde desta segunda, Zinho contou que sentiu Adriano perturbado, com muitas dúvidas sobre a continuidade da carreira, marcada nos últimos anos por episódios que colocam em risco o futuro do atacante.

Antes do hexa, tempo para pensar

Em abril de 2009, depois de defender a seleção brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo, Adriano não se reapresentou ao Internazionale de Milão. Viajou ao Rio e ficou três dias internado na Vila Cruzeiro, sem dar notícias. Como em outras ocasiões, o Imperador estava com seu reino em ruínas, abusando do álcool. O atacante anunciou que pararia de jogar futebol por tempo indeterminado. No mês seguinte, porém, acertou o seu retorno ao Flamengo.

No Rubro-Negro, em 2009, Adriano buscou no seu clube de coração, na cidade em que nasceu e perto da família, a alegria perdida na Itália. Foi campeão e artilheiro do Brasileirão, mas continuou com um currículo de indisciplinas e abusos fora de campo.



É unanimidade entre amigos, família e profissionais que conviveram com Adriano que ele precisa de acompanhamento de profissional da área de psicologia ou psiquiatria. Mas, à exceção de meia dúzia de consultas quando estava no São Paulo e no Flamengo, o jogador nunca aceitou a ideia.

- Hoje eu não preciso, com certeza. Precisava quando passei aquela depressão, quando falei para todo mundo o meu problema (com bebida alcoólica), ali eu tive (ajuda). No São Paulo, eu tive psicólogo. Em 2009, cheguei a fazer quatro ou cinco sessões com um psicólogo. Hoje, não tenho mais necessidade, sinto isso. Se precisar, vou comunicar ao Flamengo, tenho idade bastante para saber quando estou precisando ou não. Mas hoje estou feliz. Se der uma escorregada, aí, sim. Opa: “Zinho, tô precisando disso, disso, disso” – disse Adriano, em recente entrevista.

Zinho mantém a esperança de tentar recuperar Adriano como pessoa e como atleta, mas reconhece que está desgastado. À espera da resposta do Imperador, ele só tem uma certeza: dentro e fora do campo, o futuro do camisa 10 é um gigantesco ponto de interrogação.

- Cheguei ao meu limite, estou desgastado. Percebi nos olhos dele que ele não tinha uma resposta. Em relação ao ser humano, não estou arrependido (de ajudar). Não quero que ele acabe para o futebol. Eu tenho muito medo se ele parar de jogar futebol. Vou lutar por isso sempre. Se ele quiser parar, vou me colocar para ajudá-lo em qualquer dia da semana. A hora em que ele quiser.




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