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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A estranha privatização do Maracanã e a justa revolta do Flamengo






Fonte da imagem: Lancenet

Sendo um liberal, sou sempre a favor da privatização. O estado deve cuidar apenas de poucas áreas básicas, que não podem ser administradas pela iniciativa privada em busca do lucro. Arenas esportivas, definitivamente, não fazem parte dessa lista. Há vários exemplos no mundo de estádios privados, muito mais eficientes que os estatais.

Portanto, sou totalmente favorável à privatização do estádio Mario Filho, o nosso velho Maracanã. A Suderj sempre foi uma gestora incompetente, e todos que frequentavam o Maraca sabem disso. A iniciativa privada costuma ser capaz de melhorar bastante os serviços, de olho na satisfação do público, de quem depende para lucrar.

Dito isso, há muitas coisas estranhas na concessão do Maracanã para o grupo liderado pela Odebrecht, que tem Eike Batista como sócio minoritário. Para começo de conversa, teve aquela controvérsia estranha envolvendo o estádio Célio de Barros e o Museu do Índio. Os locais seriam usados para um grande estacionamento e um shopping, e demandariam investimentos da ordem de R$ 600 milhões.

Após alguns protestos pontuais (um deles com apenas uns 30 gatos pingados na sede da Odebrecht), o governador Sergio Cabral desistiu da ideia, e curiosamente a empresa vencedora aceitou rapidamente abrir mão dessa parte da licitação. Por que? Será que viu que o valor era alto demais e não compensava pelo retorno? Quebra de contrato não costuma ser aceita de forma tão cordial. Estranho.

Em segundo lugar, fica evidente a diferença de tratamento entre Corinthians e Flamengo, os dois times com as maiores torcidas do país. O primeiro ganhou praticamente de mão-beijada o Itaquerão, algo absurdo, pois suas obras custaram mais de R$ 1 bilhão. Teria alguma ligação com o fato de o ex-presidente Lula ser um dos “mano”, e ter ótimo relacionamento com o presidente do clube? Andrés Sanchez, não custa lembrar, já esteve envolvido em escândalos por aí.

Chama a atenção, portanto, a diferença de tratamento nos dois casos. Por que o Flamengo não contou com o mesmo tipo de benefício? Onde fica a isonomia? São questões que merecem respostas, e mais investigação. A torcida e a diretoria do Flamengo, com razão, têm se sentido lesadas nisso tudo. Tanto que o clube acaba de emitir um comunicado sobre o assunto:

“O Flamengo, depois da espetacular participação da nação rubro-negra no jogo desta quarta-feira, contra o Cruzeiro, espera que a Odebrecht tenha se convencido da importância em ter a maior e melhor torcida do mundo no Maracanã.

A torcida do Flamengo valoriza o Maracanã. Ela é a alma do estádio e faz dele o mais lindo e vibrante do Brasil. Sem o Flamengo, o novo Maracanã se torna apenas uma arena importante, como outras que já existem.

Por esta razão, não se pode admitir que o modelo de administração do Maracanã seja tão prejudicial ao Flamengo. Abaixo, os fatos que aprendemos, fruto de nossa experiência recente:

- No jogo do dia 28/08 contra o Cruzeiro, a renda líquida do clube foi de R$734.000 para uma renda bruta de R$2.200.000. Com esta mesma renda bruta, o Corinthians no Pacaembu teria uma receita líquida de R$1.650.000.

- Esta mesma comparação feita para qualquer outra arena/estádio no Brasil comprovará que no Maracanã o Flamengo trará para seus cofres menos da metade do que seus adversários de outros estados estarão arrecadando.

- Os custos operacionais do Maracanã são de, no mínimo, o dobro de qualquer outro estádio do Brasil, podendo chegar a até 10 vezes o custo de outros estádios capazes de receber também grandes públicos.

- O Maracanã oferece um péssimo serviço tanto na venda de ingressos quanto na operação de acesso, onde as catracas não estão dimensionadas para o alto fluxo de ingresso de torcedores próximo a hora de início da partida.

- Consequência: longas filas, impossibilidade do controle eletrônico do acesso, riscos de evasão de renda, superlotação e descontrole da arrecadação, falta de contagem dos giros de catraca, impossibilidade de saber a relação entre os ingressos vendidos e o número de pessoas que entraram no estádio.

O Flamengo deseja construir uma relação justa e parceira com quem quer que esteja administrando o Maracanã. Uma relação que permita, além de bons resultados financeiros para ambas as partes, a enorme alegria dos 40 milhões de apaixonados torcedores rubro-negros”.

É para isto que estamos trabalhando.

Conselho Diretor do Clube de Regatas do Flamengo.”



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