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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Fla deixa vitórias para depois e aposta em austeridade financeira para renascer




Nova diretoria implementa choque de ordem em busca de organização. Presidente do Flamengo disse ao iG que encontrou um clube à beira do caos


Rio - Pouco mais de quatro meses após assumir a presidência do Flamengo , Eduardo Bandeira de Mello já sentiu na pele o que é estar no comando do clube com a maior torcida do país. Mas a pressão pela falta de bons resultados dentro de campo aparentemente não tem modificado suas atitudes. Bandeira de Mello parece prezar pela recuperação financeira e pela credibilidade abalada pelas gestões anteriores, deixando as vitórias em campo para mais tarde.

O presidente do Flamengo afirma ter encontrado o clube em condições caóticas. Um exemplo foi o atraso de cerca de um ano no pagamento acordado pela Timemania, loteria criada para ajudar os clubes a pagarem seus débitos fiscais junto ao Governo.


Bandeira de Mello assumiu a Presidência do Flamengo após vencer Patrícia Amorim nas eleições | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia

“Tal atraso poderia ter feito com que o Flamengo fosse excluído do acordo. A Procuradoria da Fazenda esperou a chegada da nova gestão antes de tomar uma medida como a nossa exclusão, mas garantimos que faríamos o pagamento o mais rápido possível. E fizemos assim que o dinheiro da Adidas entrou”, relatou. A marca alemã será a nova fornecedora de material esportivo do clube.

Ao apostar na austeridade financeira e no plano de recuperação financeira em médio e longo prazo, a diretoria teve atuação discreta no mercado de transferências de jogadores em 2013. Além disso, o apoio à ginástica, à natação e ao judô foi encerrado sob a alegação de que estas modalidades geravam um déficit de R$ 14,5 milhões ao clube.

Todo esse comportamento aconteceu por conta dos compromissos assumidos para obter as certidões fiscais negativas para que possa criar o fluxo de caixa que permita o clube programar seus próximos passos.

Uma das ações para buscar receitas capazes de criar o tão esperado fluxo de caixa foi o lançamento do programa de associação de torcedores. Em duas semanas, mais de 10 mil torcedores se inscreveram em seis tipos de planos, cujos valores variam entre R$39,90 a R$ 199,90 mensais.

Embora o presidente acredite na adesão em massa da torcida, o consultor de marketing esportivo Amir Somoggi vê o projeto com ressalvas.

“O Flamengo não pode imaginar que o sócio-futebol seja a solução criativa para gerar receitas”, disse ao iG . “É preciso definir benefícios que criem interação com a torcida de todos os cantos do País e não somente com o público carioca. A torcida do Flamengo é descentralizada e somente quando o público de todos os cantos do país for atingido poderemos ter um indicador parecido ao do Internacional, que conta com cerca de 108 mil associados em seu quadro social atualmente”.


Jorginho assume o Fla com a missão de recuperar o bom futebol do Fla | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Reformas internas para planejar o futuro

Enquanto o Flamengo busca maneiras de criar novas receitas e, simultaneamente, pagar contas deixadas pelas gestões anteriores, o debate para que o estatuto do clube passe por algumas reformas é mais uma das ideias para o cenário futuro do rubro-negro.

A modernização de alguns artigos é vista como fundamental por Eduardo Bandeira de Mello. Um tema delicado, por exemplo, e que gerou frustração dos torcedores que planejam - ou já se associaram – foi o fato de não se ter o direito ao voto nas próximas eleições rubro-negras. O rival Fluminense, por exemplo, proporcionou esse direito aos seus novos associados após passar por votação que possibilitou tal reforma estatutária.

“É fundamental que algumas adaptações sejam feitas. Temos um estatuto muito antigo. Posso afirmar que este é um consenso entre as diversas correntes políticas do clube”, disse.

O apoio de grupos políticos e a vitória ampla na eleição do Conselho Fiscal também foi ressaltada por Amir Somoggi como um marco importante para o poder de decisão do atual grupo.

“O Flamengo é um clube doente e a vitória da situação nas eleições do Conselho Fiscal é um marco para a reestruturação. Somente com união poderá ser alcançada a tão esperada maximização de receitas”.

Os resultados em campo atrapalham a boa fase externa
Enquanto a diretoria comemora a obtenção das certidões negativas de débitos, fator que o presidente considera vital para a obtenção desejado fluxo de caixa, em campo, quando o assunto é bola, os torcedores andam desapontados com o desempenho no campeonato carioca, onde o time tem poucas chances de se classificar para a fase final da Taça Rio.

Vale lembrar que a obtenção das certidões negativas de débitos com o governo Federal, Estadual e Municipal credenciam o Flamengo a novamente ser patrocinado por empresas estatais como a Petrobras, que deixou o clube após parceria de 25 anos.

Recentemente, houve uma especulação de que a Caixa Econômica Federal teria interesse em patrocinar o Flamengo. Fato que era impossível e que, com as certidões negativas, o clube passa a estar apto novamente.

Mas enquanto nenhum novo parceiro é anunciado, o futebol segue em um compasso diferente, já que não engrenou na mesma velocidade que as ações administrativas aconteceram. Isso gerou ainda mais pressão.


Zico ganhou estátua da nova diretoria e aprovou as dispensas de Vágner Love e Dorival Junior | Foto: Severino Silva / Agência O Dia

O presidente minimizou os resultados ruins e deixou claro que sua prioridade é a recuperação econômica do clube.

“Também sou torcedor e, assim como todos, não posso considerar a ideia de perder para o Resende. O torcedor não tem de admitir, mas eu, como presidente, não posso ser irresponsável e mudar tudo o que venho fazendo. Estamos trabalhando para termos uma situação confortável ainda em 2013, tanto administrativamente quanto nos investimentos no futebol”.

Zico concorda com saídas de Vagner Love e Dorival
O ex-jogador e ídolo Zico, que ganhou recentemente uma estátua na sede do clube, na Gávea, disse ao iG que apoia as polêmicas decisões da diretoria de cortes de gastos, como a liberação de Vagner Love para voltar ao CSKA, da Rússia, e a saída do técnico Dorival Júnior.

“Essas situações são muito simples. Futebol é produtividade. Não se pode ter custo sem ter retorno adequado. Independentemente do valor que for. Sem retorno não se pode onerar o clube. As prioridades precisam ser tomadas e, nesses casos, eu acho que a atitude tomada foi certa”, diz Zico.

As informações são do repórter Bernardo Besouchet, do iG


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