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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Zico: ‘Agora posso ir ao Flamengo tranquilo’

Zico não se considera o fiel da balança na vitória de Walter D’Agostino e Eduardo Bandeira de Mello sobre 
Patricia  Foto: Jorge William

Marluci Martins


Enquanto o futuro vai sendo traçado em reuniões fechadas da nova cúpula do Flamengo, o passado abre passagem com o reforço imensurável de um craque. Zico está de volta ao clube do qual foi praticamente enxotado pelo grupo de Patricia Amorim. Embora não vá aceitar nenhum cargo na nova gestão, o ídolo alivia-se por finalmente sentir-se à vontade para voltar a frequentar as dependências do Flamengo, sua casa de tantos e tantos anos.

— Agora, posso ir lá tranquilo porque sei que não vou me deparar com pessoas que não quero ver. Isso é muito simples: você não vai à casa de pessoas que duvidam da tua honra, da tua honestidade. Agora, acabou. Coloco uma pedra em cima. Pra mim, morreu. Mas, veja bem, em nenhum momento eu me afastei do Flamengo — desabafou Zico, em entrevista ao Jogo Extra, por telefone.

O alívio pela vitória de seu grupo não amoleceu o coração. Uma gargalhada muito sonora foi a resposta de Zico à declaração de amor que Patricia lhe fizera diante dos microfones, ao reconhecer a derrota antes mesmo do fim da apuração dos votos, na segunda-feira — "eu também amo o Zico", dissera a presidente, aos prantos.

— Hahaha. Sempre tive bom relacionamento com ela desde a época em que era nadadora. Ela nunca escondeu essa admiração por mim, e é possível que possa existir. Mas tive problema com um conselheiro (Capitão Léo) que abriu inquérito contra mim, o que ela não poderia permitir. Tive ofertas para participar de outras administrações, mas acabei dando minha cara para ajudar uma ex-atleta e me dei mal.

Zico elogia Dorival

Com forte influência sobre o novo comando do Flamengo, Zico não quis antecipar se Zinho e Dorival permanecerão no clube no ano que vem. Mas fez questão de elogiar o trabalho do técnico.

— Não estou autorizado a falar. Mas eu sei de tudo, tudo! — disse, rindo mais uma vez. — Gosto do Dorival. Só não trouxe-o naquela época (quando foi diretor-executivo, em 2010) porque ele estava empregado (Santos). Mas era um dos nomes que eu queria — acrescentou.

Zico mantém aberta a porta para Dorival e Zinho. E, apesar da mágoa, não puxa o tapete de Patricia Amorim.

— Sou uma pessoa educado. Onde vou, procuro cumprimentar as pessoas. Vou cumprimentá-la em quanquer lugar — afirmou o ídolo, que, elegante, não considera a derrota de sua adversária uma vitória pessoal sua. — Muita gente pode ter ficado descontente com a forma como eu saí, isso pode ter pesado, mas o fiel da balança foi o futebol que, quando não vence, reduz a chance de reeleição — encerrou Zico, com a sabedoria que não pôde passar para Patricia.

Mas, agora, novos tempos virão. Com Zico de volta à velha casa.


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