Translate

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Livre das crises do futebol, Gávea evolui e gestão de 'prefeito' vira trunfo


Vice de Administração Cacau Cotta revitaliza a sede, reconquista sócios e funcionários e cria porto seguro para Patricia: ‘Futebol não decide eleição’


Da sala no primeiro andar ou mesmo de casa, Cacau Cotta tem a Gávea na palma da mão. Do telefone celular, o vice-presidente de Administração e do Fla Gávea acessa ao sinal de mais de 50 câmeras espalhadas pela sede. Olhos eletrônicos que vigiam a “cidade” rubro-negra e também exibem as melhorias coordenadas pelo dirigente. Banheiros mal-conservados, ranhuras, paredes descascadas, quadras alagadas, sujeira... Em dois anos e meio da administração de Patricia Amorim, isso passou a dar lugar a um ambiente mais agradável para os sócios. O número, segundo o clube, quase dobrou: passou de 5.400 para dez mil.

- Não teve campanha de marketing. Foi no boca a boca. Os próprios sócios falando bem do clube, das instalações. Nós chegamos aqui em janeiro de 2010. A Gávea tinha mato de mais de dois metros de altura. Você entrava e dava de cara com o abandono, prédio totalmente destruído, entulho. Esse era o retrato da Gávea – explica Cacau Cotta.

De Patricia, Cacau ganhou o apelido de “Prefeito da Gávea”. Advogado e funcionário do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, ele tem o estilo característico dos políticos. Num passeio pela sede com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM, cumprimenta sócios e chama quase todos os funcionários pelo nome. Se algo está sujo ou fora do lugar, pede que seja cuidado imediatamente. Eles são o trunfo do prefeito.

- Peguei os funcionários e eles trabalhavam todo dia, botei em regime de plantão. Ganhei eles para mim, ficaram satisfeitos com a possibilidade de ter um dia de folga para correr atrás, porque o salário é pequeno, um pouco mais que o salário mínimo (R$ 622,00). Trouxe eles para mim e comecei a investir neles. Uniformização, não tinha condição de trabalho, crachá, na camisa vem escrito o departamento em que trabalhar. Comecei a tratar dignamente. Isso ajuda muito. O salário em dia em dois anos e seis meses.
Na visita ao vestiário recém-reformado, o marceneiro Cosme de Souza pede a palavra e surpreende na defesa à atual gestão.
- O estatuto tinha que ser modificado e a Patrícia ser eleita por muitos e muitos anos. Estou aqui há 30 anos e nunca houve uma presidente como ela – declarou, emocionado.

É uma realidade diferente do consumo externo. A Gávea vive um Flamengo diferente daquele do noticiário explosivo que acompanha o futebol desde 2010. Está guardada em uma bolha, sob uma blindagem capaz de resistir a episódios conturbados como o caso Bruno, as confusões de Adriano Imperador, pelo acerto e pelo desacerto com Zico, briga contra o rebaixamento. Em 2011, a sina parecia ter virado: Ronaldinho Gaúcho foi contratado, o clube foi campeão carioca invicto e fazia excelente campanha no Brasileirão. De repente, o time parou de ganhar... e as nuvens voltaram. Voltou a ganhar - e uma crise surgiu dentro do departamento de futebol... do nada. O saldo no fim da temporada até foi positivo, com a equipe classificada para a Libertadores. Mas a virada de ano trouxe novas crises: eliminações, confusões de Ronaldinho, saída de Ronaldinho via ação judicial... uma pilha de problemas. Mas a Gávea tornou-se inabalável. O carro-chefe, o porto seguro, em ano eleitoral e que mantém Patricia como favorita ao pleito de dezembro.

- O futebol dá sossego para a gente trabalhar. Quando o Flamengo ganha duas, três partidas seguidas, posso trabalhar com mais calma, você tem mais reuniões produtivas, você consegue direcionar. Acredito que o futebol tem a parte dele na eleição, mas a prova que o futebol não ganha eleição no Flamengo foi a última (em 2009). O ex-presidente foi campeão brasileiro e no dia seguinte perdeu a eleição (Delair Dumbrosck). Futebol não decide eleição. O que decide eleição, para mim, é patrimônio. É futuro.

Como você encontrou a Gávea e o que foi feito? 

Nós chegamos aqui em janeiro de 2010. A Gávea tinha mato de dois metros de altura. Na entrada da Gilberto Cardoso, que é uma entrada muito usada pelo sócio, você entrava ali e dava de cara com o abandono, prédio totalmente destruído, entulho e tudo que você possa imaginar. A outra entrada, do ginásio de basquete, tinha duas ou três toneladas de entulho. Esse era o retrato da Gávea. Isso estou falando de passagens do clube. Imagina o banheiro, vestiário, tinha rato aqui dentro, gambá, gato. O problema que hoje eu tenho de vaga pelo excesso de frequentadores, você chegava aqui a qualquer hora do dia e encontrava vaga sobrando. Pegamos o Flamengo com 5.400 sócios e hoje batemos dez mil, quase dobrou.
Isso sem uma campanha de marketing?

Não teve campanha de marketing. Foi um boca a boca do que representa a Gávea. Os próprios sócios falando bem do clube, das instalações do clube. Começamos a identificar os sócios na portaria. Os sócios chegavam aqui e não tinham identificação nenhuma. O cara conhecia pelo “oi, tudo bem?”. Agora tem a carteirinha, passa pela catraca e a foto do sócio aparece no computador, mostra se está em dia ou não. O sócio passou a ter credibilidade pelo trabalho. Aí começamos a fazer pequenas intervenções. Pegamos as próprias instalações e estamos recuperando. Não é nada daquele negócio que tinha antigamente aqui de um orçamento de R$ 2 milhões para fazer um programa de revitalização. Começamos a recuperar o que existia. Muitas das intervenções começaram com patrocínio e depois tiveram que andar. Aí depois ia lá, a presidente apaixonada pelo clube, comprava a ideia. Isso tem muito de diferente das outras administrações. Os filhos da presidente frequentam o Flamengo. A minha família frequenta o Flamengo. Eu quero o melhor na minha casa e assim tratar com carinho é fácil. Muitos dos outros gestores frequentavam o Country Club (clube social em Ipanema). Ninguém estava muito preocupado com o dia a dia do clube. Investir nessa coisa é investir no futuro do Flamengo. O CT foi tirado do papel depois de 22 anos. Não é só a Gávea que está dando essa segurança para a Patricia. A Gávea também, porque o sócio está aqui dentro. Mas ele sabe o que acontece na base, sabe o que acontece no Morro da Viúva, no CT. A Gávea dá essa sustentação, o sócio está aqui no dia a dia. Blinda realmente. Com certeza blinda. Mas não é só a Gávea. Outros setores estão trabalhando e fazendo o Flamengo melhor.

E como é que você tem a avaliação positiva. Além do número de sócios, como vocês fazem essa análise?

Existe uma pesquisa feita pelo departamento de TI. De três em três meses, quatro em quatro meses, para fazer um acompanhamento disso. A última foi feita no pior momento, na crise Ronaldinho e na eliminação na Libertadores. A aprovação da Gávea, de patrimônio, especificamente Fla Gávea, foi de mais de 80%. A aprovação da presidente foi de 67%, no meio da crise. Isso prova que nós estamos no caminho. Futebol é sorte, né? Você trouxe o Ronaldinho, maior jogador do mundo, botou aqui 25 mil pessoas (na apresentação) e não deu certo. Podia ter dado certo, mas não deu. Futebol é sorte. Você faz tudo certo e dá errado, faz tudo errado e dá certo. Agora, a competência administrativa dessa gestão é inegável

O futebol não interfere de forma alguma no pensamento do sócio?
O futebol dá sossego para a gente trabalhar. Quando o Flamengo ganha duas, três partidas seguidas, posso trabalhar com mais calma, você tem mais reuniões produtivas, você consegue direcionar. Mas eu acredito que o futebol tem a parte dele na eleição. Mas a prova que o futebol não ganha eleição no Flamengo foi a última eleição. O ex-presidente foi campeão e no dia seguinte perdeu a eleição. Futebol faz parte. Eu tenho estudado um pouco, 20%, 15% dos sócios do Flamengo são moradores daqui, não são nem torcedores de time nenhum. São moradores dos arredores da Gávea e frequentam o Flamengo, trazem a família para cá. Acabam virando Flamengo no dia a dia. Mas o futebol não decide eleição. O que decide eleição, pra mim, é patrimônio. É futuro. Quando digo patrimônio, é jogador de futebol, CT, museu e Gávea. Eu acho que isso decide eleição. Isso cria futuro para o Flamengo. Cria uma linha de gestão, de administração para o futuro do Flamengo. Futebol é resultado imediato. Você pode jogar tudo isso para o alto e fazer o maior time do mundo, que já teve aqui, o maior ataque do mundo, e não resolveu. O que resolve é investir em estrutura, vai dar uma linha para o Flanmengo no futuro. Falta estádio, faltam algumas coisas para uma futura gestão e temos de pensar mais nisso, mas a Gávea realmente é um porto seguro.

E quanto foi investido?

Por essa recuperação ser feita 80% por nossos funcionários, vamos botar aí que nesses três anos não passou de R$ 1,5 milhão. Tudo.

Os projetos anteriores eram orçados em quanto?

Os projetos anteriores, só para elaborá-los, custaram R$ 2 milhões.

E para colocar em prática?

Não sei, não tenho ideia. A maquete que foi inaugurada aqui custou R$ 2 milhões e não serviu para nada, não aconteceu nada. E nós não tivemos grandes ideias. Nada de shopping. Pegamos uma praça que já existia, que era horrível, revitalizamos, iluminamos, colocamos coqueiros, botamos o busto do Carlinhos, que é uma área que ele frequenta. Foi tricampeão como treinador, tem uma história no clube. O busto estava abandonado. Hoje a praça é frequentada. Não houve nada grandioso, foram coisas pontuais. A areia do filtro da piscina não era trocada há 13 anos. Tem que trocar de dois em dois anos, no máximo. Houve um problema, até trocar a areia houve um desgaste. Sócio reclamando que a piscina estava verde. Teve muito trabalho, não é à toa que as pessoas falam bem do trabalho do clube. Não adianta achar que vai tocar por telefone. Eu estou aqui diariamente, e venho fim de semana quando é possível. Me sinto um pouco prefeito, como a presidente me chama. Acho que isso aqui é uma cidade, tem um movimento de duas mil pessoas. Se não tiver foco, administração, gerenciamento, não funciona.

Mas o torcedor que não é sócio acaba criando uma rejeição a esse trabalho na sede, pelo que se vê nas redes sociais. Chamam a Patricia de presidente do parquinho, dizem que é necessário colocar cimento na piscina. Como lidar com isso? Como explicar que isso é importante sem abandonar o futebol, que é o carro-chefe? 

Eu também sou torcedor. Dirigente que não é torcedor não tem que estar no clube. Eu entendo o torcedor, que quer resultado imediato. Mas ele tem que ver o que está sendo feito. O CT depois de 20 anos saiu do papel, investiu na base do Flamengo, campeão da Copinha depois de 17 anos. Isso é investir no futebol, e os meninos estão aí. Adryan, Mattheus. É inegável que eles têm futuro no Flamengo. Esse é investimento de futuro. Tem que ter um pouquinho de paciência. Eu vejo como uma revolta pontual de um resultado no jogo. Eu peguei os meninos num protesto aqui na porta, trouxe para a Gávea e ficaram encantados com o trabalho. Dos que entraram aqui, 90% saíram falando bem. Fica muito no resultado, o que está acontecendo no futebol é resultado imediato. Mas eu não tenho problema quanto a isso. A presidente acho que não tem problema nenhum quanto a isso. A gente é presidente de um clube, mas não é só futebol. Futebol é o carro-chefe, tem que ter carinho especial, mas Flamengo é também clube, administração, CT, é também resolver o Morro da Viúva, investir na base, piscina. Futebol é o número um, tem que ser tratado com carinho. Pegamos o time no ano passado e levamos para a Libertadores de novo, fomos campeões do Carioca. Esse ano infelizmente ainda não acertou, mas vai acertar.
Info Melhorias Gavea Fla (Foto: infoesporte)
Trazer o time profissional para treinar na Gávea novamente não foi fácil. A gente sabe que houve uma briga com o Vanderlei Luxemburgo. Como foi conduzir isso?

Acho que não teve briga. O Vanderlei tinha um foco. A pedido da presidente, desde o primeiro dia, que era avançar as obras do CT. Ele achou que ficando lá, isso em comum acordo com a presidente, ia facilitar o trabalho das obras, para andarem mas rápido. Vocês estariam lá, a imprensa ia cobrar, e nós teríamos que arrumar recurso para fazer. Não é questão de briga, mas é fundamental trazer o futebol para cá. Aqui estão as raízes do Flamengo, que foi campeão do mundo treinando aqui. É bom estar perto da torcida aqui, do sócio, do visitante. Vargem Grande é longe. Acho positivo trazer o Flamengo duas vezes por semana para a Gávea, fazer o rachão aqui. Isso é sadio para os jogadores sentirem a torcida, os sócios, sentirem o que é o Flamengo. Lá é para ter o sossego, aqui é para sentir o calor do jogo e pegar a energia daqui. O Flamengo foi campeão de tudo aqui. Tem que trazer o Flamengo aqui, sim. Estamos entregando um vestiário de primeira linha, que vai ser usado pela Seleção Brasileira olímpica. Não vamos dever nada a ninguém do Rio.

Você se acha um trunfo eleitoral? O prefeito pode ser colocado como o fiel da balança?

Não. Tem outras pessoas com trabalho muito bom aí. Posso ser um deles, mas não sou.

Mas na hora da campanha você não acha que vai ter um peso maior?


Para a hora da campanha faltam seis meses. Política é uma nuvem. Hoje ela está aqui, amanhã mudou de lugar. Se o Flamengo for campeão brasileiro, vão ter outros fiéis da balança aí. Se o Flamengo se classificar para a Libertadores, vão ter outros fiéis da balança aí. Eu vou ser só mais um. Vou ser só mais um, mas vou ajudar.

Quem é o Cacau Cotta. Como você chegou aqui? 

 
Tenho um sonho de fazer um estádio para 15 mil para jogos de pequeno porte"
Cacau Cotta
Eu sou amigo da Patricia há muitos anos. Trabalhava na presidência da Câmara de Vereadores e conheci ela lá. Sempre fui um incentivador de ela vir candidata a presidente do Flamengo pela boa imagem, pela pessoa do bem que ela é, não tenho dúvida disso. Conheci no dia a dia da Câmara. Depois fui para o Tribunal de Contas, sou funcionário do Tribunal, aprendi muito em gestão ali. E fui da arquibancada, um apaixonado pelo Flamengo. Nasci ao lado do Maracanã, joguei futebol no portão 18 do Maracanã. Pedia para entrar ali, ficava ali na porta. Era o meu playground. Eu estava viajando quando ela resolveu vir candidata. Ele me ligou antes de eu voltar e disse “me ajuda, vem logo”. Voltei e entrei na campanha. Aí começou uma relação mais próxima. Me convidou para ser diretor de Fla Gávea, era outro vice-presidente que acumulava a função. Com três meses de gestão ela me chamou e foi muito bonito. Disse que meu trabalho estava me transformando em vice-presidente. Um ano e meio depois me chamou para assumir a vice-presidência de administração e o Fla Gávea.

Seu nome volta e meia aparece no futebol. O que você acha disso? 


É especulação, né?

Mas não houve convite?

Prefiro ficar onde estou, lá tem pessoas capacitadas. O Zinho está fazendo um grande trabalho, o (Paulo Cesar) Coutinho. Enquanto houver um vice-presidente lá, é só especulação. Houve uma sondagem, mas eu disse que preferia ficar onde estou. Acho que contribuo mais. Sou Flamengo, soldado do Flamengo e da Patricia. Se um dia precisar de mim, não vou me negar. Prefiro ficar onde estou, como gestor, administrador, contribuo mais, apesar de ser apaixonado pelo futebol. Não estaria aqui se não fosse. Acho que as pessoas que estão lá vão acertar. O Zinho foi uma grande contratação, está fazendo um grande trabalho. Vamos apostar a ficha neles, estou com eles.

Quais são os próximos projetos para a Gávea?

Meu sonho é ter um estádio aqui.

Acha viável?
Botamos 25 mil pessoas para a chegada do Ronaldinho aqui, num dia semana, às três da tarde, e o problema foi zero.

A chegada do Ronaldinho virou um modelo para discutir com as associações de moradores?

O Flamengo já tem um estádio para sete mil pessoas aqui. A discussão seria para dobrar isso. Tenho um sonho de fazer um estádio para 15 mil para jogos de pequeno porte. O Maracanã é a nossa casa. O Flamengo tem que ir lá e tomar o Maracanã. O Flamengo é a cara do Maracanã. Fico triste de ir para o Engenhão ver os jogos do Flamengo. Meu sonho é fazer numa próxima gestão um estádio para 12, 14 mil pessoas, uma coisa que não extrapole, que possa receber pequenos jogos de Carioca e de Brasileiro Muitos não chegam a 15 mil pessoas. Numa quarta-feira, nove da noite, qual vai ser o problema que vai criar na Zona Sul? Domingo, quatro da tarde, qual o problema? Criaram isso e querem fazer uma verdade. Acho que o bom relacionamento com os vizinhos, associações de moradores, ir ao prefeito, governador. O Flamengo precisa ter um estádio. Não pode perder para ninguém. Tem que estar na frente sempre.

É sonho ou projeto?


Projeto e sonho.
Já tem algum estudo para viabilizar? Já trabalha nisso?

Há um grupo trabalhando nisso.

Para curto prazo?
Próxima gestão.

Acha que consegue levantar em quanto tempo?


Já temos um de sete mil, né? Seria revitalizar aqueles sete, mas quando você faz isso acaba reduzindo. Ficaria em cinco mil. Reformar isso e criar mais dez mil. Tem espaço. Não vai criar um estádio para 15 mil, vai pegar o que já tem, com gramado pronto, arquibancada pronta, e criar dez mil lugares. Em menos de um ano fica pronto, um ano. Tem um estudo, uma equipe trabalhando. Eu, Alexandre Wrobel, estamos trabalhando nesse sentido.

A seleção da Holanda faria a preparação para a Copa do Mundo de 2014 na Gávea, e a delegação americana treinaria aqui para os Jogos Olímpicos de 2016. O que está definido?


Está bem encaminhado (com a seleção holandesa). Com os Estados Unidos está fechado. Já estamos até recebendo benefícios desse acordo com o Comitê Olímpico Americano. Quem encaminhou esse acordo foi o esporte olímpico e a presidente.

Quando vieram, que avaliação foi feita?


A localização é privilegiada, ajudou muito. O Obama veio para onde? A localização permite agilidade de movimento, a maioria da programação dos Jogos será na Barra. Os caras querem vir para cá. Tem ginástica olímpica, a Lagoa Rodrigo de Freitas para o remo, tem basquete, vôlei, futsal, futebol de areia, de campo. Ninguém tem isso. Atravessa a rua e está na lagoa. Qual clube tem isso? Nenhum.

E qual é o ganho além da visibilidade?

Financeiro. O Comitê Olímpico dos Estados Unidos já investiu US$ 1 milhão, superior ao que gastamos na revitalização até agora. Gastamos US$ 90 mil desse dinheiro. Ainda temos US$ 910 mil para serem gastos ao longo da gestão. Nota: na divulgação da parceria, em dezembro do ano passado, foi divulgado que os americanos investiriam no Flamengo US$ 400 mil (R$ 743 mil).
Já tem ideia do que vai fazer? Qual será a próxima área de ataque?
A cobertura da quadra de futsal, das quadras de tênis. Podemos pensar em algo para viabilizar o projeto da piscina, da profundidade da piscina. O que a gente precisa pensar é como um plano diretor. O espaço já existente nós revitalizamos. Agora temos de usar as áreas ociosas dentro do clube e fazer um plano diretor dentro da Gávea.

E o museu?

A obra civil deve terminar no fim do mês. Aí é acabamento. Com a obra civil pronta, você começa a ver a coisa andar.

A inauguração em 15 de novembro é possível?

É difícil, mais pela organização das coisas. Não é impossível, mas é bem difícil. Até o fim do ano planejamos entregar. Nossa determinação é não parar nada. O museu está atrasado? Mas não paramos. O CT está atrasado? Mas não paramos. Se você para, cria uma situação de desânimo. É continuar sempre. Acredito que até o fim do ano devemos inaugurar o museu e o CT.

Já teve experiência nessa área de gestão de clube? Qual a sua formação?

De clube, não. Sou bacharel, advogado.

De onde surgem essas ideias?

Do amor pelo Flamengo, do carinho, de a família frequentar o clube.

Conversa com os sócios para ouvir sugestões?

Converso o tempo todo. Eu ando pelo clube todo dia. Escuto funcionários, sócios todo dia, a opinião de todo mundo. O tempo todo, todo dia. É um trabalho diário. A minha sala é no primeiro andar para isso, para receber as pessoas.
fonte : globo.com
Postar um comentário