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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Novo Fla: disciplina, premiação por título e grupo de investidores

Paulo Pelaipe defende nova forma de negociações, afirma que grupo rubro-negro é disciplinado, mas avisa: ‘Se tiver que punir, eu puno’


Por Janir JúniorRio de Janeiro




Pelaipe gesticula durante reunião com os
jogadores (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

O futebol rubro-negro tem novas filosofias. Diretor executivo do departamento, Paulo Pelaipe discute com a direção as novas diretrizes que saíram da teoria para a prática. As premiações deixaram de ser bicho por jogos e se tornaram bonificações por conquistas. Com o clube asfixiado financeiramente, a primeira meta é equacionar os atrasados com os jogadores. Contratações, neste primeiro momento, serão poucas, mas marcarão o início de uma relação do clube com investidores. E a disciplina também será uma das bandeiras do novo Flamengo.

Além de abalar ainda mais as finanças do clube, investir milhões em uma contratação agora teria um efeito moral adverso no grupo atual. No primeiro contato de Pelaipe com os jogadores, o papo foi franco e as cartas foram colocadas na mesa.

- Acredito que em breve vamos colocar a casa em ordem. A diretoria está empenhada, o problema das penhoras é delicado, mas está sendo tratado. Os jogadores estão comprometidos, pois a conversa foi clara e transparente. O presidente Eduardo, no dia em que assumiu, disse que o Flamengo era um mau pagador. A primeira coisa na vida para conseguir sucesso é admitir os seus erros. Tem que admitir os erros, o que precisa melhorar para corrigir e ir em frente. É o primeiro passo para ter sucesso. O Flamengo não iniciou na gestão Eduardo Bandeira de Mello, tem 117 anos. Temos que honrar todos os compromissos do clube. Não interessa se foi bem feito ou mal feito. Compromisso é compromisso, temos que honrar as tradições. Dissemos a realidade da coisa. Por isso, neste primeiro momento, não estamos fazendo contratações – afirmou o diretor executivo.


- Vamos fazer contratações, temos uma ou duas, uma praticamente fechada. Estamos buscando parceiros, investidores, com o Flamengo ficando apenas com o ônus do salário, tendo participação no passe. Qualquer investidor ou empresário do futebol brasileiro quer colocar o jogador no Flamengo. Quando o clube estiver organizado, pagando em dia o salário dos jogadores... A torcida do Flamengo é uma religião. No Rio, tem 51% de torcedores, mais de 40 milhões no Brasil. Quem não quer colocar jogador do Flamengo para ser valorizado? Jogador com a camisa do Flamengo vale mais. No momento em que botou a camisa, se valia um, no Flamengo vale dez. Essa grandeza é que vamos trabalhar para resgatar. Não adianta palavra bonita, é trabalho, como estamos fazendo aqui, 15, 16, 17 horas por dia – disse o diretor.

Duas contratações podem ser anunciadas em breve. E já com a participação de investidores, para que o Flamengo pague somente o salário. Na sexta-feira, Pelaipe teve reunião com a diretoria e com um grupo que participa de uma negociação em curso.

Pelaipe, que tem feito um estudo minucioso nas documentações do futebol, como contratos dos jogadores, afirma que a prioridade é acertar os salários.

- Fui apresentado no dia 11 de dezembro, mas para fazer proposta, entrar uma negociação com documento oficial do clube, só no dia 2 de janeiro. Estamos fazendo revisão em todos os contratos, dos compromissos não cumpridos com os jogadores. Primeira meta é colocar os salários em dia.

Premiação por meta, e bandeira da disciplina

Na nova filosofia do futebol do Flamengo, uma ideia defendida pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello, o vice de futebol Wallim Vasconcellos e Pelaipe coloca fim ao “bicho” pago por vitória em partida isolada. O pensamento é grande. A recompensa também.


Pelaipe tem trabalho intensamente, seja no campo, nos telefones celulares ou no computador de sua pequena sala no Ninho do Urubu. Contratar, reformular o elenco e acompanhar o grupo atual são apenas algumas das muitas atribuições. A meta é dar a melhor condição de trabalho. E com defesa da disciplina, apesar de ter detectado um grupo sem maiores problemas.

- É uma ideia da direção, do presidente Eduardo, uma ideia de que o Wallim Vasconcellos não abre mão. Realmente uma premiação de produção, conquistas. Não adianta dar prêmio para ganhar um jogo. Temos que dar por títulos, conquistas, faixa no peito. Vamos valorizar e incentivar os profissionais para que isso aconteça. Dar boas premiações sempre por títulos. Trabalhava assim no Grêmio. Não adianta dar bicho por uma vitória no jogo e depois não ganhar o título. Temos que premiar por conquista. A razão de ser do Flamengo é conquistar vitórias. Jogador é muito bem remunerado, tem bom salário. Temos que dar objetivos para ele, tem que ter foco. E o primeiro é ser campeão carioca. Temos que formar jogadores vitoriosos – destacou.

- O jogador, mais do que ninguém, sabe que tem que se cuidar, cumprir horário, se dedicar. São as coisas básicas do futebol. Qual é a função do dirigente? O dirigente não tem que aparecer mais do que os jogadores, eles são os artistas do espetáculo. Bom dirigente é aquele que consegue dar condições de trabalho para os profissionais. Onde trabalhei, nunca tive problema de vestiário, eu jogo muito aberto. Converso olho no olho. Quando tem algum fato que não está bem, eu converso, explico. Se tiver que punir, eu puno. Jogador, infelizmente, às vezes tem que punir, se as regras não são cumpridas. Isso não é apenas do futebol, qualquer segmento da vida. Tu tens regras na tua empresa. Se não cumprir, será cobrado pela chefia. É assim no futebol. É uma empresa, e cada um tem a sua missão. E eu sou assim, é o que faço. Sou muito de diálogo, coloco minha posição de maneira objetiva. Aceito os argumentos, é importante ouvir, você ouvindo também aprende. Assim que a gente trabalha – completou Pelaipe.




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