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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Vice de secretaria exalta aumento de sócios e questiona discurso de Patricia




Rafael Strauch, peça-chave nas eleições, diz que número de associações disparou após o pleito e que ex-presidente separava sócios dos torcedores


Por Janir JúniorRio de Janeiro




A relação de amor com o Flamengo garantiu a Rafael Strauch um presente no Dia dos Namorados: ele ganhou um título de sócio. Além da lembrança, a intenção de Tatiana era que ele parasse de “encher o saco” por conta do Rubro-Negro. O efeito foi justamente oposto. Formado em administração e economia, Rafael mergulhou na política do clube, destrinchou estatuto, foi peça-chave na campanha vitoriosa de Eduardo Bandeira de Mello e assumiu o cargo de vice-presidente da secretaria geral. Ele tem em mãos o quadro associativo do clube e as explicações da importância de ser sócio para participar da vida política que vai além do futebol. E questiona o tom separatista de futebol x Gávea do discurso de Patricia Amorim.
A partir do dia seguinte ao resultado das urnas, 4 de dezembro, o número de associações disparou.

- O sócio, formalmente falando, é o acionista, o dono do Flamengo. Ninguém é mais dono do que ninguém. O sócio-proprietário tem direito a um voto, se o sócio acabou de entrar tem tanto direito quanto um ex-presidente. Por ser ex-presidente ele tem uma cadeira cativa no conselho de administração, ponto. Mas em dois anos você vai poder ser do conselho deliberativo, pode entrar numa chapa e participar do Conselho de Administração. Todos acionistas têm cotas iguais. Esse é o grande barato de associar ao Flamengo – afirmou Rafael Strauch, 36 anos.

Rafael Strauch, novo vice-presidente da secretaria geral do Flamengo (Foto: Janir Júnior)

De torcedor de arquibancada, Rafael Strauch passou a ser sócio atuante. Junto com amigos fundou o grupo Sócios Pelo Flamengo.

- Queria muito participar da vida do Flamengo. Mobilizar as pessoas, pressionando no bom sentido do que acha que é certo e deve ser feito. Cem têm mais força do que 10, mil têm mais força do que 100 – destacou.

A vida política ganhou ainda mais força quando chegou à coordenação da campanha nas eleições da Chapa Campeão do Mundo, que virou Chapa Azul depois da impugnação da candidatura de Wallim Vasconcellos e a aprovação de Eduardo Bandeira de Mello.

Com números e quadros de sócios nas mãos, Rafael Strauch tinha a estratégia e a percepção do quadro político do clube. O resultado das eleições - 1414 votos para Bandeira contra 914 de Patricia Amorim - sacramentou a ânsia por mudanças.

E, na opinião de Strauch, deixou clara uma estratégia equivocada e merecedora de críticas de Patricia, que não teve sucesso no futebol e recebeu a alcunha de “presidente do Parquinho” por exaltar as melhorias feitas na sede do clube:

- Uma das forças políticas da presidente anterior foi o foco no associado e, por algumas vezes, deu declarações de uma quebra: “não estou sendo boa para a torcida”, mas “estou sendo boa para o associado”. Essa discussão nunca aconteceu dentro do Flamengo. Nunca aconteceu porque 98% do quadro de associados são de torcedores. Então, era como se existissem duas pessoas aqui dentro: o associado não tem nada a ver com o Flamengo. É mentira. Os associados são flamenguistas para caramba, são muitos flamenguistas. Você tem eventualmente uma pessoa ou outra que não é flamenguista, e é sócia porque mora no bairro, quer fazer uma atividade aqui. Não o inverso. Ela usou muito disso para separar as duas coisas. Ela apostava nas melhorias internas para ganhar força política. Então, virava para torcida e falava “não tenho nada a ver com vocês, mas estou resolvendo a vida do sócio com quem me importo”. Isso foi muito ruim, pois a torcida se sentiu menosprezada, e gerou essa beligerância entre as duas coisas como se pudesse dissociar, como se houvesse sentido nisso, e não tem sentido nenhum. Começamos a fazer pesquisa, coisa que o Flamengo não faz nem com a torcida e nem com sócio. Começamos ver idade média, onde mora, o que interessa, para saber o que ele imagina que o Flamengo deva ser.



Enquanto busca fortalecer o quadro de sócios e tornar o Flamengo grande não apenas no futebol, em breve, Rafael Strauch será pai de uma menina. Certamente uma futura associada. O presente de Tatiana naquele Dia dos Namorados terminou de selar a união com o Rubro-Negro. Mas já não tem o mesmo encanto.

- Hoje, ela não acha mais tanta graça, não (risos).

A seguir, mais trechos da entrevista com Rafael Strauch.

Vida política e Chapa Azul

- Já tivera reuniões profissionais com Wallim, tinha visto com a camisa do Flamengo, sabia que era associado, chamei para o nosso grupo (Sócios pelo Flamengo). O pessoal brinca dizendo que catequizo as pessoas que sei que podem ser sócias ou se já são, para fazer alguma coisa pelo clube. Ele veio para o grupo, começou a participar muito. Depois da definição da chapa para ser presidente, comecei a ajudar porque tinha conhecimento dos aspectos legais do clube, principalmente de estatuto. No meio do processo me formalizam como um dos coordenadores da chapa. A Chapa começa como Fla Campeão do Mundo até o Wallim sair, a Azul nasce quando nome de Eduardo Bandeira de Mello é aprovado. O grupo fica mais amplo, muda foco da campanha. Todos achavam que estaria enfraquecido, e fortaleceu.

Aumento do número de associados depois das eleições

- Aumentou muito, está crescendo bastante. Vi o quadro associativo desde 2008, números que pegam duas gestões, cinco anos. De dezembro para cá, o nível de associação está explodindo. Dezembro do ano passado é o mês com o maior número de associações dos últimos cinco anos, pega mais de 60 meses para cá não teve um como dezembro, principalmente a partir do dia 4, quando se ganha em eleição. Em janeiro, também tem aumentado muito o número de associações, inclusive de sócio-proprietário.

Sócios pelo Brasil e pela Internet

- O sócio off-rio tem possibilidade de participar da vida política. A forma de você chamar esse sócio é um trabalho que o marketing está desenvolvendo. Você tem que saber o que esse torcedor quer, quais os benefícios que você vai conceder e a que preço. Bap (vice-presidente de marketing) coordena uma equipe que fará isso, transformar o potencial em realidade. Está se montando uma estratégia. Na parte da minha secretaria, o que quero fazer em curtíssimo prazo é transformar do papel para sistema eletrônico, pessoas possam se associar através do site. Planos, melhoras, diferentes níveis de serviço, produtos, planos de sócio-torcedor... Logo, logo, o marketing vai apresentar um trabalho legal.

Por que ser sócio do Flamengo?

- Não tenho como exigir que todos possam se associar, o clube é barato por um ponto de vista e caro por outro. Quem tem condição, não gosta das atitudes que observou nas gestões anteriores e quer que isso mude, não vejo outra saída que não a associação. A consequência de você não se ocupar da política é que alguém vai estar nesse espaço e fazer dele o que acha que é o mais certo. Mais importante que queiram mudar, se juntando, conversando, participando. A melhor forma de ajudar é se associando.

O Flamengo grande como clube social

- Tem potencial, pois tem histórico em diversas modalidades esportivas, tem capacidade. O espaço é bom, grande, tem muito o que ser aproveitado. Queremos buscar o melhor e que o clube seja autossustentável. Ao mesmo tempo, sabemos que é um clube de futebol, mas não deve haver transferência de recurso do futebol para sede, e vice-versa.


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