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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Conselho Fiscal vota parecer de contas de 2011 e ex-contador do clube relata dificuldades na contabilidade da atual gestão do Flamengo

Por Gabriela Moreira e Pedro Henrique Torre


Atrasadas, as contas do Flamengo de 2011 serão novamente analisadas nesta terça-feira pelo Conselho Fiscal do clube. De acordo com o estatuto rubro-negro, os valores devem ser apreciados pelo Conselho Deliberativo em abril do ano seguinte em busca da aprovação. Mas até agora, nada. Da reunião do Conselho Fiscal sairá um parecer definitivo a ser encaminhado ao Deliberativo para o aval final. A tendência é que haja uma avaliação favorável das contas, mas com ressalvas. O motivo: cerca de R$ 300 mil estão sem comprovação de notas fiscais, apenas com o extrato de cartões corporativos. Nada perto do rombo de cerca de R$ 7 milhões nas mesmas contas que apareceram no início deste ano e deram início a um terremoto interno na Gávea que resultou na saída do contador-chefe do clube, Rogério Tosca da Encarnação.


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Eduardo Bandeira de Mello terá dificuldades na presidênciaEntre o dito pelo não dito, Rogério deixou o clube em junho após garantir que não havia documentação que comprovasse a finalidade dos R$ 7 milhões adiantados. Em agosto deste ano, o contador-chefe trouxe o caso à tona durante reunião ordinária do Conselho Fiscal. Presidente do poder do clube, Leonardo Ribeiro diz que tudo foi devidamente comprovado.

"Foram R$ 7 milhões de adiantamento de departamentos para fazer pagamentos em dinheiro. Essas prestações de contas estavam nos departamentos e não tinham sido contabilizadas. Por isso que atrasou. A antiga contabilidade do clube que deu origem às confusões todas. O contador foi inoperante. A gestão não foi ruim. A contabilidade, sim. Houve negligência", afirma Leonardo Ribeiro, o Capitão Leo.

Rogério Tosca da Encarnação, no entanto, afirma que a história tem contornos bem diferentes. Contador-chefe do clube de outubro de 2010 até junho de 2012, ele garante já ter encontrado problemas em documentos que comprovassem os gastos do clube no início de sua gestão. Após o fechamento do balanço de 2010, os problemas voltaram a aparecer em 2011. Rogério, então, viu-se de mãos atadas. Acessava os dados da contabilidade do clube e não encontrava os documentos que comprovariam os gastos.

"Você é empresário e há o contador, por exemplo. O fluxo é natural. Eu vou ver o monitoramento bancário. Para cada débito há um crédito. No que percebi, essas saídas de conta deveriam ser para pagamento. Mas não diziam a finalidade. Se isso foi esclarecido, não tenho conhecimento", afirmou Rogério Tosca da Encarnação ao ESPN.com.br

Alguns documentos, segundo o contador, estavam no Conselho Fiscal do clube. Ao indagar a origem da papelada, a resposta era sempre a mesma:

"O Conselho Fiscal tinha documentos que não chegavam na contabilidade do clube. Nós perguntávamos e eles diziam que iam direto na fonte. Mas não passava na contabilidade nunca. Isso tornava o processo difícil", reclamou Rogério Tosca da Encarnação.

Mesmo após ter deixado o cargo de contador-chefe do Flamengo oficialmente, Rogério continuou a assessorar o clube até meados de setembro no que chama de "uma espécie de transição". Nas idas e vindas até a Gávea, notou que os documentos do rombo de R$ 7 milhões passaram a ser apresentados, principalmente após a chegada de um novo nome no departamento de finanças do clube: Renato Blaute, anunciado pelo clube em agosto como o novo diretor executivo da pasta.

"Por aí, foi nomeado um gestor das finanças chamado Renato, não lembro o sobrenome. Ele, creio, sensibilizou quem estava organizando tudo. Foram aparecendo os documentos. Se chegou a ponto de esclarecer tudo, não sei. Mas com ele houve um estreitamento. Tenho a impressão que ele foi mais feliz. Até pela pressão interna, precisavam de um salvador", disse Rogério Tosca da Encarnação.

Responsável pelo setor financeiro do clube, o vice-presidente da pasta, Michel Levy, foi contactado pela reportagem para dar sua versão sobre o assunto. Mas preferiu se manter em silêncio.

"Não estou dando entrevistas. Prefiro não falar sobre isso", limitou-se a dizer Michel Levy.

Também sócio-proprietário do clube, Rogério Tosca da Encarnação lembrou que muitos levantamentos de verba eram feitos sem a chancela da vice-presidência de finanças. Leonardo Ribeiro, no entanto, destaca que a ausência de Rogério da sede da Gávea foi um dos problemas que geraram tamanho rombo no orçamento sem a comprovação exata de documentos. O presidente do Conselho Fiscal admite que um valor tão vultoso de adiantamentos chamou a atenção do poder do clube e, por isso, fez uma notificação ao Conselho Diretor em fevereiro sobre a necessidade de documentos comprobatórios. Caso contrário, as contas seriam rejeitadas pelo Conselho Fiscal.

"O contador-chefe não ia ao clube. E estavam lá os comprovantes de departamentos, como esportes olímpicos, Fla-Gávea. Ele não foi ao clube por seis meses. Depois que mudou e entrou a nova equipe de contabilidade, tudo foi resolvido", afirmou Capitão Léo.

Rogério Tosca da Encarnação, por sua vez, entende que o ano eleitoral influenciou bastante no atraso das finanças do clube. E aconselhou Leonardo Ribeiro.

"Não tenho restrição alguma ao Leonardo, mas ele deveria ser mais enérgico, atuante. É política. Os membros do Conselho Fiscal são fiscalizadores, não auditores. Mas era como se portavam. Dizer que eu não ia ao clube não procede. É apenas uma maneira dele para salvaguardar o Conselho Fiscal com o problema que houve na época", argumentou Rogério.

Neste grande enigma das finanças rubro-negras, entra a Chapa Azul, vencedora da eleição presidencial e que já deu início à transição, justamente, pelo departamento financeiro. Internamente, os integrantes do grupo demonstraram surpresa com a quantidade de dívidas que surgem diariamente no clube. Com a possibilidade de vencer a eleição rubro-negra cada vez mais forte, alguns nomes de Eduardo Bandeira de Mello entraram em contato com credores, como o Banco BMG, para saber o real tamanho do monstro financeiro.

Inicialmente, a análise é de que as finanças da Gávea necessitam de uma injeção de cerca de R$ 40 milhões para fazer toda a engrenagem andar. A partir daí, novos patrocínios ajudariam na empreitada da nova gestão rubro-negra. Nesta segunda-feira, o Conselho de Administração do clube se reuniu e aprovou a solicitação de um adiantamento das cotas de tv de 2013 a 2015 de R$ 27 milhões. Pedido requisitado pela atual presidente, Patricia Amorim, e endossado pela Chapa Azul com uma condição: a comprovação de que a verba será utilizada para deixar em dia os salários do clube. Uma garantia para que o Flamengo continue a andar e não seja tomado por insatisfação com a falta de recursos.



Ex-presidente diz que dívida do clube dobrou


Ex-presidente do Flamengo e uma espécie de consultor político da nova gestão, Marcio Braga acredita que a dívida atual do clube esteja na casa dos R$ 600 milhões.

"Eu tenho a impressão de que a Patricia aumentou a dívida do Flamengo em R$ 100 milhões por ano. Passou de R$ 300 milhões, como nós deixamos, para R$ 600 milhões. E rolar uma dívida dessas, numa instituição sem finalidade lucrativa, que não visa o lucro e sim as vitórias, é dose pra leão", disse o ex-presidente, que antecedeu Patrícia no cargo.




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