Translate

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Muralha, do Flamengo, ouviu o conselho de seu pai e investe parte do salário para se aposentar

Ele pilota o dinheiro dos atletas

Pedro Boesel divide o tempo entre os autódromos e a XP Sports, gestora que administra R$ 18 milhões de atletas brasileiros.

Por Fernando TEIXEIRA





O que costuma passar pela cabeça da maior parte dos atletas antes do lance decisivo para uma grande vitória? Certamente, eles não pensam nos contratos milionários que assinaram, nos patrocinadores e, tampouco, em sua aposentadoria. Eles só querem superar limites, ganhar troféus, medalhas e marcar seus nomes na história do esporte. No entanto, não pensar em como ganhar dinheiro depois de encerrar a carreira pode custar caro. “Cerca de 50% dos atletas entram em falência após três anos de aposentadoria, e o número sobe para 80%, depois de cinco anos”, diz Pedro Boesel, 29 anos, piloto de stock car e sócio da XP Investimentos, do Rio de Janeiro.




Mercado amplo: diretor da XP Sports, Pedro Boesel aposta
em Copa e Olimpíada para conquistar novos clientes

A falta de planejamento dessa turma foi identificada como uma oportunidade para Boesel fundar, em março de 2012, a XP Sports, uma divisão da corretora carioca especializada na gestão de fortuna de atletas. Em menos de um ano, a gestora já administra R$ 18 milhões do patrimônio pessoal de 42 atletas de modalidades como Stock Car, MMA e futebol. Agora, o objetivo é aproveitar a proximidade da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 para aumentar o número de clientes. “Até o final de ano, queremos administrar R$ 70 milhões e contar com cerca de 100 atletas na nossa carteira”, diz Boesel. Para atingir esses objetivos, ele terá muito trabalho pela frente. Segundo Boesel, sobrinho do ex-piloto de Fórmula 1, Raul Boesel, a primeira reação dos atletas tende a ser de pé atrás.


O meia Wagner, do Fluminense, quer criar peixe e gado após pendurar
as chuteiras, aos 34 anos

“Há muito assédio pelo dinheiro deles, principalmente no futebol”, diz. A desconfiança é causada, segundo ele, pelas promessas de lucros exorbitantes que gerentes de bancos e aproveitadores de toda ordem fazem. “Nem sempre o atleta recebe o lucro combinado e, por vezes, há prejuízo.” Sem citar nomes, Boesel conta o caso de um jogador do Bahia, que tem R$ 6 milhões aplicados em um fundo de previdência privada e paga 8% entre as taxas de carregamento e de administração. “Ele vai perder dinheiro no longo prazo.” Para quebrar as resistências, o piloto mostra que é possível conciliar os gastos de agora com a aposentadoria. Para divulgar a XP Sports, Boesel conta com um garoto-propaganda de peso: o técnico Carlos Alberto Parreira, tetracampeão mundial na Copa do Mundo dos EUA, em 1994.


Longevidade: Campeão da Stock Car Brasil de 2008, Ricardo Maurício pretende se aposentar
por volta dos 55 anos. Enquanto corre, busca ajuda de profissionais para fazer render o dinheiro

O atual coordenador-técnico da Seleção Brasileira foi o primeiro cliente da XP Sports e, em suas palestras a jovens jogadores, aconselha os candidatos a futuros craques a se preocuparem com a aposentadoria. “O Garrincha morreu num quarto de uma casa que ficava quase na favela”, lembra Parreira. Outro jogador que também esteve próximo ao técnico e sofreu com as consequências do descontrole na administração de seus gastos foi Müller, ex-atacante do São Paulo e da seleção vitoriosa de Parreira. “Quando você é jovem e não tem preparo psicológico, gasta desnecessariamente.

Com fama, se gasta mais ainda”, disse o antigo craque, cujo nome de batismo é Luís Antônio Correia da Costa, em um programa de tevê, ao revelar que estava em dificuldades financeiras e morava de favor na casa de um ex-colega. Para Parreira, a falência dos esportistas tem uma explicação simples: a falta de educação básica e financeira dos atletas e o despreparo para lidar com o deslumbramento, os amigos interesseiros, os carrões e barcos e os batalhões de marias-chuteiras, nome dado às periguetes que assediam os ídolos do futebol. “Jogador ganha dinheiro muito rápido”, diz. “Ninguém os orienta para investimento em ativos.” Sua opinião é compartilhada por Boesel, que acrescenta que a falta de tempo e planejamento atua como ingredientes para a falência ao se aposentar.


Parreira viu grandes jogadores, como Garrincha, morrerem
na miséria por esbanjar dinheiro

TRANQUILIDADE O único desafio que Wagner Ferreira dos Santos, meio-campo do Fluminense, quer ter quando se aposentar é o de criar gado e peixe, em uma fazenda no interior de Minas Gerais, aos 34 anos. Para ter a tranquilidade que deseja e garantir os estudos dos dois filhos, o jogador de 27 anos precisa manter o nível de investimento por mais quatro anos. “O que vier depois é lucro”, diz. Entre as estratégias para se aposentar, está o planejamento financeiro mensal e o investimento do dinheiro extra, que ganha por conta das premiações por vitórias e títulos conquistados. Nos últimos tempos, o meia fez algumas mudanças em sua estratégia para lucrar mais.




“Antes eu comprava apartamento na planta e o vendia depois de pronto.” Agora, ele diversifica seu patrimônio entre ações, fundos imobiliários e, claro, na compra e venda de imóveis. Segundo Boesel, as expectativas de Wagner provavelmente serão supridas, pois o atleta tem um bom controle dos gastos e percebeu a importância de diversificar os investimentos e deixar uma parte do patrimônio com liquidez. “Quando abordamos os atletas, explicamos que existe uma gama de produtos financeiros como letras agrícolas e imobiliárias e ações, por exemplo”, diz Boesel. “Quanto mais tempo o atleta investir, melhor.”

O conselho de começar a poupar cedo foi seguido à risca por outro cliente da XP Sports, o volante do Flamengo, Luiz Philipe Lima de Oliveira, mais conhecido como Muralha. Com apenas 18 anos, o jovem, que já integra o plantel dos profissionais do time da Gávea, já traçou planos para se aposentar aos 35 anos e faz aplicações financeiras. “Recebo o salário, retiro uma parte para investir e outra para gastar”, diz. Seu primeiro grande desembolso foi feito na compra de uma casa nova, onde mora com os pais, no bairro do Grajaú, nas proximidades da favela onde morava. “Tenho uma casa média e um carro médio”, diz. “Estou apenas começando.” O incentivo para o menino começar a guardar dinheiro para o futuro foi dado pelo pai.


Muralha, do Flamengo, ouviu o conselho de seu pai e investe
parte do salário para se aposentar

“Ele me contou sobre jogadores que passam por necessidade depois de se aposentar”, diz. “Não quis seguir esse caminho, por isso invisto.” Mas não são apenas os atletas de futebol que pensam na aposentadoria. Os pilotos também. “Faço o pé de meia agora”, diz o campeão da stock car de 2008 e vencedor da Corrida do Milhão de 2010, Ricardo Maurício. Aos 33 anos, o piloto descarta viver longe das pistas pelos próximos 22 anos. Segundo ele, para se manter no cockpit de um carro de corrida é necessário ter patrocínios. “Patrocínio e boa equipe aparecem se o piloto atrai holofotes e é competitivo”, diz o piloto. Para não perder o controle do carro por se preocupar demasiadamente com a aposentadoria, Maurício prefere deixar a gestão de seus recursos nas mãos de profissionais. “Sei correr. Para investir, procuro orientação”, afirma.




fonte link


siga-nos pelo twitter e fique por dentro das noticias do mais querido do mundo
Postar um comentário