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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

José Carlos Dias ataca Clément e Cacau na saída: 'Fiz dois inimigos'




Ex-vice do Fla-Gávea declara apoio à diretoria, mas desaprova métodos de Clément Izard na condução das mudanças e nepotismo de seu antecessor


Por Eduardo PeixotoRio de Janeiro



Antes de completar 45 dias no cargo, José Carlos Dias pediu demissão da vice-presidência do Fla-Gávea na manhã de domingo. No e-mail de saída, justificou-se alegando problemas particulares "muito graves" e incompatibilidade com Clément Izard, gerente executivo que era seu subordinado.

Nesta terça-feira, o ex-dirigente atendeu o GLOBOESPORTE.COM durante uma viagem para esclarecer que sua saída não significa o fim do apoio dele e de seu grupo político à nova gestão do Flamengo. Ex-vice de finanças de Marcio Braga e figura ativa na política rubro-negra, José Carlos Dias atacou Clément e Cacau Cotta, a quem classificou como inimigos.

José Carlos Dias recebe o cumprimento do presidente Eduardo Bandeira de Mello durante a posse da
nova diretoria do Flamengo (Foto: Alexandre Vidal e Fernando Azevedo/FlaImagem)

Confira a entrevista:

GLOBOESPORTE.COM: A sua saída coincide com a acusação de agressão do Cacau Cotta ao Clément Izard durante o jogo entre Flamengo e Botafogo, domingo, no Engenhão. Os casos têm ligação?

José Carlos Dias: Pedi demissão domingo de manhã e registrei por e-mail. Avisei ao Cláudio Pracownik (vice de administração) que iria sair depois do jogo porque tinha problemas familiares e não poderia conviver com esse rapaz (Clément Izard).

Mas o que provocou essa saída prematura?



Primeiro é o seguinte: questão pessoal. Vivo um momento complicado e o Flamengo não permite que você esteja no clube com a cabeça ruim. Não fiz força alguma para ficar. Agora, esse garoto (Izard) não tem a menor condição.

Por quê?

O tratamento dele com os funcionários. Esclareço que não estou defendendo funcionário que não trabalha. Se é improdutivo, manda para a rua. Falo dos que têm história no Flamengo. Em 2004, muitos funcionários ficaram sete, oito meses sem receber salário e se negaram a fazer greve, mesmo apoiados pelo sindicato. Alguns deles o Clément fez chorar. Ele não pode chegar e fazer uma pessoa dessas, com anos de dedicação ao Flamengo, se sentir humilhada. Não é meu perfil e nem do Conselho Diretor. Temos que ser rigorosos, duros, mas humanos, como eu sou. Ele não é gentil. Cobrar, nós temos obrigação, mas humilhar, não.

E por que aceitou a contratação do Clément Izard para ser seu gerente executivo?

Não queria colocar conhecido ou um parente. Queria alguém indicado pelo grupo que tomou posse. No primeiro período de 45 dias de experiência, avaliei e vi que não tinha condição e encaminhei a demissão dele.

O que pesou nessa avaliação negativa?

Coloquei como conceitual no Fla-Gávea as coisas maiores do departamento. Se a piscina funciona indevidamente e o Flamengo paga R$ 550 mil de água, temos que nos preocupar em diminuir a conta. Mas ele vai e se preocupa em tirar o pipoqueiro que não paga aluguel? O cara quase morreu, passou mal. Se a gente tem como missão buscar o modelo de clube do Pinheiros-SP, o cara não pode querer implicar com os gatos, que são cuidados por sócios, tem até uma associação para isso no clube. Esta era a minha preocupação maior. Todo dia surgia uma briga e o Fla-Gávea deve primar, sobretudo, pela boa convivência com os sócios.

Você foi contra a demissão da irmã do ex-vice do Fla-Gávea, Cacau Cotta? Muitos dizem que Clément a demitiu sem o seu consentimento e por isso houve o racha...



Determinei no dia 8 de janeiro que cortássemos 15% da folha. E de onde viriam esses cortes? Onde o custo é menor e a qualidade estava abaixo do que gostaríamos. E não é ético você empregar parentes. O Cacau deveria ter me avisado disso quando saiu, deveria ter pedido para ela pedir demissão. O Clément não foi o culpado pela saída da irmã do Cacau. Foi uma deliberação minha. Ele apenas foi o portador da notícia e, pelo que soube, não o fez de uma forma muito adequada.

Pelo seu relato, o Clément não comunicava as decisões aos funcionários de uma maneira que o agradasse. Houve um pedido para ele mudar a postura?

Resolvo com educação, sem humilhar quem quer que seja. Tentei por diversas vezes explicar que deveria haver equilíbrio entre o meu perfil e o dele. A gota d'água foi a seguinte: solicitaram ajuda de logística no evento do Zico que aconteceria na sede no sábado, e ele, com a maior má vontade do mundo, disse que não tinha tempo porque havia coisas mais importantes a resolver. Se o Zico não é importante, quem vai ser? Estamos no Flamengo, e o mais importante é o Zico. Fiquei indignado. Aliás, cabe uma reflexão: ao abrir o jornal hoje e ver uma foto do rapaz (Clément), me veio à mente a figura do Michel Levy, que gostava de se exibir. Estou desde 2002 no Flamengo e quase não se vê foto minha na mídia. Sempre estive lá para trabalhar e não para aparecer.

O Cacau é seu amigo?

O Cacau está se declarando meu inimigo, tenho e-mails dele com essa afirmação. Problema algum. Demiti a irmã dele por questão ética e de custos. Os custos de folha dobraram na gestão Patricia Amorim. Eu que deveria reclamar por tudo o que recebi no Fla-Gávea. Talvez seja a única pessoa no mundo que tenha os dois (Cacau e Clément) como inimigos.



Você vai para a oposição?

Sou 100% governo, não existe espaço para a oposição. A diretoria é qualificada e competente. Fiz dois inimigos, mas também muitos amigos. No curto período, gostei dessa convivência. Dou apoio irrestrito e reitero que minha saída foi principalmente por motivo familiar.

Quem será o seu substituto no Fla-Gávea?

O Cláudio Pracownik (vice de administração e TI) fica no meu lugar no Fla-Gávea. Tenho uma relação maravilhosa com ele. Trata-se de um grande amigo e capacitado para a função.








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