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terça-feira, 19 de março de 2013

Flamengo dá exemplo de gestão a clubes grandes





Por Menon



A troca de Dorival Jr. por Jorginho foi um grande exemplo – e há poucos – de como um clube de futebol deve ser dirigido. Ela é boa financeiramente, tem tudo para ser boa tecnicamente e, se os rivais tiverem juízo, pode ser um início de novos tempos no futebol brasileiro.

O Flamengo fez bem em demitir Dorival Jr. por dois motivos:

1) Não tinha dinheiro para pagar o que ele recebia.

2) Ele não merecia o que recebia.

De minha parte não há nenhum preconceito sobre o salário de jogadores e treinadores. Não sou desses que argumentam com a pouca escolaridade de alguns para justificar o que ganham. Diploma não serve de parâmetro. O que deve definir a justiça dos salários de alguém é o mercado.

Se o mercado sinaliza que não exagero em pagar R$ 750 mil por mês, R$ 25 mil por dia, mais de R$ 1 mil por hora para os iluminados de hoje em dia, quem sou eu para reclamar? Mesmo que considere um dinheiro muito alto para alguém que fala sempre e unicamente que “o time já encaixou, o time não encaixou, o time vai encaixar” .

A lógica do mercado, porém, é rompida quando você não tem como pagar. Um apartamento pode custar R$ 1 milhão e o mercaco considerar isso justo, mas se eu não tenho dinheiro, vou continuar morando debaixo da ponte.

Essa quebra da lógica do mercado que o Flamengo fez pode ser algo revolucioário. “Tudo bem, Dorival, o seu salário é o mesmo que o de treinadores top, mas eu não tenho como pagar. Paramos por aqui”. Sensacional, não? Enfim, alguém com a cabeça no lugar e com cuidados com o dinheiro da instituição.

Aqui, um parágrafo. Dorival Jr. é um técnico com poucos títulos e com nenhum trabalho memorável. Nenhum sucesso extraordinário, nenhum time formado por ele é inesquecível. Ninguém sabe escalar de 1 a 11 um time de Dorival Jr. Mesmo os que foram campeões. Um treinador que, dirigindo o Galo, é eliminado da Copa do Brasil pelo Barueri, não pode vender seus conhecimentos táticos por R$ 1 mil reais a hora.

A decisão do Flamengo pode mexer com a lei do mercado de duas maneiras, principalmente se Jorginho fizer um bom trabalho e, mais ainda, se ganhar um título.

1) Os grandes clubes vão perceber que podem contratar bons técnicos por salários que se pareçam menos com uma infâmia, uma ofensa ao país em que vivemos

2) Os grandes clubes resolverem que Jorginho merece ganhar R$ 750 mil e tentarem tirá-lo do Flamengo.

De uma maneira ou de oura, a atitude pioneira (ou desesperada) do Flamengo pode ajudar a mudar o futebol brasileiro. Vocês já repararam, é lógico, que todo treinador agora fica no banco com um sistema de comunicação com o seu auxiliar que está na cabine? Esse auxiliar ganha pelo menos R$ 60 mil por mês, R$ 2 mil por dia, R$ 250 paus por hora de trabalho.

Existem bons treinadores no mundo que ganham menos do que isso.

O mercado brasileiro está maluco. Nossos professores, que resumem seu trabalho em frases e atitudes simplórias como “vai bater lateral com lateral, “pega, pega, pega”, “nossa marcação não encaixou”, bla bla bla. Recebem em dia e não entregam o que prometem.

O ponto final estava prestes a ser pingado, quando me ligou o grande amigo Maurício Oliveira, meu consultor para assuntos flamenguísticos. E ele me disse que o excesso de remédio pode matar o doente. Ou seja, é justo dispensar Vagner Love e economizar R$ 1,2 milhão por mês, R$ 40 mil por dia, R$ 1,66666 mil por hora, mas que não dá para ficar apenas com o Hernanes.





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