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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Choque de gestão na nação rubro-negra



Em entrevista à gestora de recursos Rio Bravo,Bandeira de Mello fala sobre o choque de gestão no clube,os cortes de custo e os esforços para aumentara receita

SÃO PAULO - Eleito em dezembro de 2012 para presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello tomou posse em janeiro deste ano com a missão de reerguer o clube, que enfrenta problemas com dívidas, salários atrasados e inúmeras pendências judiciais. Em entrevista à gestora de recursos Rio Bravo, Bandeira de Mello fala sobre o choque de gestão no clube, os cortes de custo e os esforços para aumentar a receita. A 'revolução capitalista' é parte de uma tendência entre os clubes brasileiros, que historicamente sofrem de má gestão. Confira abaixo a entrevista com o executivo:

1. Você é funcionário de carreira do BNDES, está prestes a se aposentar... Por que se envolver em uma confusão tão grande?
Eduardo Bandeira de Mello tomou posse em janeiro deste ano com a missão de reerguer o clube, que enfrenta problemas com dívidas (Divulgação)
Eduardo Bandeira de Mello tomou posse em janeiro deste ano com a missão de reerguer o clube, que enfrenta

Eduardo Bandeira de Mello: em primeiro lugar é um prazer estar aqui falando com vocês. Efetivamente eu sou funcionário de carreira do BNDES há 36 anos e estou me aposentando agora para me dedicar principalmente ao Flamengo. Não é uma insanidade porque isso é uma atitude, uma decisão movida principalmente pela paixão. O Flamengo é a coisa mais importante da minha vida depois da minha família. E eu não posso permitir que o Flamengo fique na situação em que ele se encontrava antes do nosso grupo assumir sem fazer nada. E é extremamente prazeroso, apesar da situação difícil que o Flamengo está vivendo, você poder contribuir com o clube do seu coração.

2. Como é que esse grupo que está hoje no comando do Flamengo se reuniu? Como foi esse processo?

Esse processo foi motivado principalmente pela insatisfação que o Flamengo estava tomando com a situação do clube. Nós somos todos torcedores em primeiro lugar e estávamos vendo que se o Flamengo continuasse daquele jeito ele corria o risco de acabar. Então um dos...

3. Quem fez a primeira ligação?

Pois é, um dos colegas do nosso grupo, que é o Flávio Godinho, ele recebeu uma consulta em um bate-papo, tipo "por que você não se candidata a presidente do Flamengo? Você é tão rubronegro...". Ele falou "eu poderia até considerar, mas eu não sou sequer sócio do Flamengo, não posso me candidatar, mas eu conheço alguém que é". Aí procurou o Rodolfo Landin que falou "eu também gostaria, eu sou sócio, mas não tenho o tempo necessário para ser candidato" e daí foi falando com um, com outro e se chegou à ideia de que a melhor solução seria apresentar a candidatura do Wallim Vasconcellos, meu colega aqui do BNDES durante muito tempo. Só que a candidatura do Valim foi considerada inapropriada em termos estatutários por conta de um lance de grana que eu nem concordo muito, mas não vale a pena a gente entrar nesse detalhe. Eu estava lá escalado como plano B e tive que assumir a candidatura, mas faço isso com o maior prazer.

4. Qual era a situação em que vocês encontraram o clube? Pior do que esperavam?

Foi muito pior. Realmente, quem estava do lado de fora já dava para ver que a coisa estava muito complicada, mas depois que você chega lá dentro e toma pé da situação você vê que é absolutamente inimaginável como um clube que tem 40 milhões de torcedores, que pode movimentar recursos incalculáveis, porque não existe nada mais fiel, não existe consumidor mais fiel do que o torcedor de um clube. E um clube então que tem 40 milhões de consumidores fiéis como ele podia estar naquela situação? E o que a gente viu é que realmente era muito pior do que a gente imaginava. Inclusive, sob o ponto de vista ético e moral. O Flamengo não pagava seus funcionário sem dia, isso aí era público e notório. O Flamengo não pagava impostos e o Flamengo, inclusive, recorria à apropriação indébita para se financiar. Ou seja, ele recolhia imposto de renda na fonte de seus jogadores e dos seus funcionários e não repassava para a Receita Federal. Isso é crime. Nós encontramos o Flamengo à beira de ser excluído do parcelamento da Time Mania, de perder o Refis 4 e tivemos que tomar medidas severíssimas, inclusive com prejuízo na parte esportiva e social do clube para que a gente possa, vamos dizer, retomar um caminho de dignidade e resgatar a credibilidade do clube.

5. Qual o tamanho da dívida que vocês encontraram, Eduardo?
Na época que nós chegamos lá nem sabíamos qual era o tamanho da dívida. Nós contratamos a Ernst & Young, que fez uma due diligence e chegou-se ao número de 750 milhões de reais, o que é um absurdo, mas é muito melhor a gente saber o tamanho da encrenca do que você ficar imaginando que você tem uma situação melhor e no final você ter uma surpresa a cada dia. Foi um excelente investimento contratar uma empresa que é uma empresa de auditoria com credibilidade reconhecida internacionalmente e que pelo menos nos deu a certeza de a gente saber o tamanho do buraco.

6. Quais as medidas de cortes que vocês adotaram? (acabaram com alguns esportes: judô, natação…)

Aquelas medidas tradicionais de apertar o cinto mesmo. Tivemos, inclusive, que fazer sacrifícios na área esportiva. O nosso principal jogador, o nosso jogador mais caro, que era o Wagner Love, nós tivemos que abrir mão do Wagner Love e ele foi devolvido para o clube da Rússia do qual o Flamengo havia adquirido o jogador e até porque o jogador custava para nós alguma coisa em torno, entre salários, luvas, encargos que não se pagavam, mas que conosco começou a se pagar, custava alguma coisa em torno de 1 milhão de reais mês. Nós já estávamos devendo 6 milhões de euros para o CSKA da Rússia, então não tinha como a gente sustentar aquela situação. Calhou que também para ele foi interessante à volta e nós infelizmente tivemos que abrir mão do nosso principal jogador. Na área de esportes amadores todo mundo acompanhou também que nós tivemos, frente a um déficit de cerca de 17 milhões anuais nos esportes amadores, que eram financiados
basicamente pelo futebol, nós tivemos que abrir mão dos atletas de ponta da ginástica olímpica, da natação e do judô e, é claro, que mantivemos o investimento nas escolinhas, nas categorias de base, mas tivemos que fazer esse sacrifício para poder traçar um plano que viesse a gerar recursos para o esporte amador, para que esses esportes se tornem, em um futuro próximo, autossustentáveis para que a gente possa, vamos dizer, retomar esse investimento também nos atletas de ponta.

7. A equação financeira já está equacionada ou do lado de custos ainda tem que haver mais cortes?

Não, ainda tem que haver mais cortes porque a gente brinca lá que o Flamengo é um dia depois do outro. Nós encontramos o clube com um déficit projetado para esse ano de 130 milhões de reais, o que é um absurdo. Já conseguimos reduzir bastante isso, não só através do corte de despesas como também da geração de novas receitas. Você certamente vai me perguntar depois sobre a coisa dos patrocínios e programa Sócio-Torcedor e já conseguimos reduzir o déficit, mas o trabalho não está terminado ainda. Ainda tem muita coisa para ser feita pela frente.

8. Qual tem sido a reação da torcida até agora?

Surpreendentemente, a torcida tem nos apoiado bastante. Apesar dos sacrifício esportivo, ela tem nos apoiado porque a torcida é inteligente. A torcida, acho que já estava cansada daquela prática usual no passado, de onde os dirigentes saíam contratando jogadores que depois não podiam pagar. E eles estavam vendo que o Flamengo que a gente assumiu estava com todas as receitas penhoradas por conta de dívidas com a Fazenda Nacional e é extremamente desagradável o time do seu coração, o time para o que você torce, estar sempre nas manchetes como mal pagador, como caloteiro. Isso acho que incomoda muito ao torcedor. O Flamengo tem 40 milhões de torcedores e a maioria esmagadora desses torcedores vem das classes mais humildes, da população que trabalha para se sustentar, que tem o dinheiro contadinho. E nós temos que dar exemplo para esse pessoal. Nós não podemos persistir nessa situação irreal de enganar os outros, de fingir que temos uma situação melhor do que nós temos e sair gastando o que a gente não tem. A reação da torcida, comovocê perguntou, tem sido de compreensão. Muitas vezes eu encontro pessoas na rua, pessoas humildes, que vêm me cumprimentar "é isso mesmo, presidente, nós temos que resgatar nossa
dignidade, o Flamengo tem que recuperar sua credibilidade" e isso me deixa muito feliz porque é através daí que vamos chegar aonde a gente quer em termos de poderio econômico-financeiro e, por consequência, esportivo.

9. Nem todo mundo gosta de populismo, né, Eduardo?

É verdade. E o nosso grupo é formado por pessoas que tem um nome a zelar, tem uma reputação e nós jamais gostaríamos de associar nossos nomes a essas práticas absolutamente condenáveis que o clube, não só o Flamengo, vários outros clubes, têm por hábito se valer delas.

10. Essa nova diretoria já atraiu dois patrocinadores: a Adidas com R$350 milhões em 10 anos, e a Caixa com R$25 milhões para este ano. Como tem sido o processo de convencimento?

Além disso ainda tem a Peugeot, que anuncia nas costas da camisa e que é um contrato que não é tão grande como esses dois, mas que é expressivo. A gente sente que esse patrocínio está vindo muito... O Flamengo ficou 1 ano e meio, se eu não me engano, sem nenhum patrocínio master, nenhum patrocínio principal na frente da camisa. O que é absolutamente impensável para um clube que tenha a torcida que o Flamengo tem, mas era basicamente uma questão de credibilidade. Quando nós começamos a negociar, não só com patrocinadores, mas qualquer outro tipo de interlocutor, fornecedores, jogadores, a gente viu que a coisa mudou de nível dado que eles começaram a perceber que estavam tratando com pessoas sérias, com pessoas que traziam um background da vida empresarial que assegurava a eles que as coisas seriam tratadas de uma outra maneira.

11. Vocês têm espaço para mais patrocinadores?

Tem. Nós temos ainda a manga da camisa que está disponível. Temos algumas alternativas que estamos explorando. Temos a barra da camisa e podemos fazer patrocínios pontuais, claro, fora da camisa do Flamengo, mas podemos, por exemplo, agora que nós, depois de muitos anos, conseguimos a emissão de todas as certidões negativas de débito, nós podemos ter acesso a recursos de incentivo fiscal, que são recursos fundamentais para o desenvolvimento do esporte amador. Isso vai nos permitir zerar aquele déficit que eu falei, 17 milhões anuais de esporte amador, de esporte olímpico, e isso daí vai contribuir para que esses esportes possam ser autossustentáveis e parem de sangrar o futebol, que é o trem-pagador, a principal fonte que atrai os recursos para o clube.

12. Uma iniciativa para aumentar a receita foi o programa "sócio-torcedor". Explica como funciona.

Esse programa realmente é fantástico, está sendo muito bem sucedido e é através do programa sócio-torcedor que a torcida vai ajudar o Flamengo a se recuperar. No passado a gente ouvia muito a própria imprensa estimulando, dizendo "compre que a torcida garante", só que a torcida não garantia por falta de credibilidade também. Com o programa sócio-torcedor é a maneira de a torcida jogar. É a forma com que a torcida pode empregar seu recurso para reforçar o time de futebol e pode ter certeza de que esse recurso vai ser investido dentro das melhores práticas. Nós temos hoje já 25 mil sócio-torcedores cadastrados, pagantes, o que nos dá uma receita superior até ao patrocínio da Peugeot. Só com esses 25 mil sócio-torcedores a gente já tem alguma coisa em torno de 12 milhões/ano de receita garantida.

13. Quanto é a mensalidade?

São 6 faixas. A mais barata começa com R$ 39 e vai até R$ 199. O nosso ticket médio está em torno de R$ 50. Agora, se nós conseguirmos, por exemplo, 100 mil ou 200 mil sócio-torcedores o programa sócio-torcedor, que se chama programa Nação Rubro-Negra, vai ser a principal fonte de recurso do Flamengo. Vai ser maior do que a Caixa Econômica, maior do que a Adidas e vai ser a grande fonte de recursos, aquilo que vai efetivamente garantir a nossa recuperação econômico financeira e o nosso poderio na área esportiva.

14. O que os esportes profissionais dos EUA têm para nos ensinar em termos de como monetizar o valor da marca?

Efetivamente, nos Estados Unidos eles estão muito acima da gente em termos de transformar o esporte em um business. Você vê em vários esportes o poderio da liga americana de basquete. O basquete sempre foi o esporte favorito do americano e como é que eles conseguiram transformar aquele campeonato da NBA em uma coisa altamente rentável, usando marketing, usando publicidade, até trabalhando o equilíbrio dos clubes. Acho que nós temos muito a aprender com eles e estamos estudando todas essas situações para aplicar aqui. Inclusive, nem está descartada a presença do Flamengo, do futebol do Flamengo, nos Estados Unidos. Nós podemos, por exemplo, fazer pré-temporadas lá, podemos jogar amistosos lá, inclusive, aproveitando esse nicho que é a ausência de um futebol, que eles chamam de soccer lá, poderoso em território americano. Nos Estados Unidos você tem uma população brasileira muito grande, uma população latina muito grande, uma população que nos seus países de origem tem o futebol como a sua paixão e você pode explorar isso daí. E mesmo o americano tradicional eu tenho certeza que ele pode vir a se encantar pelo nosso futebol e, por que não?, se encantar pelo Flamengo.

15. Eduardo, agora com o Flamengo colocando a casa em ordem, desalavancando o balanço do clube, passando a ter um balanço decente, se o Flamengo fosse uma ação estaria na hora de comprar né? Mas você acha que os clubes brasileiros vão, eventualmente, se tornar empresas e, por exemplo, empresas listadas em bolsa? Ou isso simplesmente não está na cultura?

Ainda não está na cultura e também isso não passa pelo nosso planejamento. O Flamengo não pretende ser uma sociedade anônima, não pretende ser uma sociedade empresária. O que a gente pretende é que o Flamengo seja administrado com os padrões de governança, de eficiência, de credibilidade de uma excelente sociedade anônima. Mas o Flamengo não vai ser uma sociedade anônima. Tem muita gente que, até pelo fato de o nosso grupo ser formado por pessoas várias que vieram do mercado financeiro, que tem uma experiência na vida empresarial muito grande, muitas pessoas acham erradamente que "esse pessoal veio aí para vender e retalhar o Flamengo". Nada. Nós somos torcedores. Nós queremos ser campeões do mundo. O que a gente vai fazer é administrar o Flamengo como se ele fosse uma excelente empresa. Agora, não tenho nada contra que outros clubes se organizem sob a forma de sociedade. Na Europa vários clubes, a grande maioria dos clubes hoje se estrutura sob a forma de sociedade anônima. Não são todos. Na Espanha você tem o Barcelona, o Real Madrid, que são clubes tradicionais e o Flamengo pretende ser isso mesmo. Pretende continuar sendo um clube social, esportivo, só que administrado como se fosse uma sociedade anônima.

16. Já houve tentativas de fundos de private equity de investir em clubes no Brasil, nos anos 90, mas isso não foi muito adiante. (Apesar de não pretender se tornar uma sociedade anônima, é possível para um clube como o Flamengo receber investimento de um fundo de private equity e remunerar esse investimento de alguma forma outra que não, por exemplo, depois abrindo capital?)

Olha, abrir o capital nem pensar porque nós não seríamos sociedade anônima. O que existe é um movimento, por exemplo, de se formar fundos para investir em direitos econômicos de jogadores, por exemplo, de atletas. Não necessariamente seriam fundos. Pode-se começar uma SPE e amanhã, quem sabe, você consegue mobilizar a população de uma maneira tal e consegue ter regras de transparência, de proteção, que você possa até ter um fundo registrado na CVM para esse tipo de finalidade. No momento, o investimento de private equity em clubes de futebol eu não diria que é o melhor momento.

17. E operações, por exemplo, securitizar fluxos de patrocínio...

Você pode ter um fundo de crédito, por exemplo... pode ter securitização de recebíveis. Isso daí é
absolutamente normal e é desejável.

18. Mas até agora não foi feito, né?

Existe alguma tentativa já nessa área. Nós estamos até trabalhando com algumas ideias nesse sentido e securitização de recebíveis de clube de futebol, de contratos de televisamento, isso já existe, mas eu acho  que esse mercado pode se sofisticar um pouco mais e a gente, inclusive, comisso conseguir reduzir o custo da nossa dívida.

19. Eduardo, os nossos ouvintes em outras regiões do país que não o Rio de Janeiro podem não conhecer o tamanho da torcida do Flamengo. Você estava me dizendo que são 40  milhões de torcedores. Como é que isso compara com torcidas, por exemplo, dos grandes times de São Paulo?

Os grandes clubes de São Paulo têm torcidas muito grandes também. Se eu não me engano, a do Corinthians tem 20 milhões, não sei o número ao certo. São Paulo, Palmeiras, Santos têm grandes torcidas também. Agora, a característica do Flamengo, dos clubes do Rio, mas principalmente do Flamengo, é que o Flamengo é uma torcida que está presente em todo o país. Os clubes de São Paulo têm sua torcida mais concentrada no estado de São Paulo e nos arredores. O Flamengo no Norte e Nordeste é muito mais popular que os clubes do Norte e Nordeste. Você vai em uma cidade como Manaus, por exemplo, você não passa 5 minutos sem ver alguém com a camisa do Flamengo na rua. Essa é uma paixão que vem de muitas décadas atrás, da época que a Rádio Nacional transmitia os jogos do Rio, que era a capital do país, para o país como um todo e as pessoas desenvolveram essa paixão pelo Flamengo. Isso nos dá ainda mais responsabilidade porque, apesar de o Flamengo estar sediado no Rio, ele não pode ser considerado um clube carioca. Ele é um clube brasileiro e quando a gente viaja você fica emocionado quando vê as demonstrações de paixão da massa em cima do Flamengo.

20. O Brasil está preparado para a Copa?

Acho que sim. É claro que ainda falta um ano, nós podemos melhorar, tem algumas coisas para melhorar. Existem seleções que estão se destacando, que estão sendo apontadas como favoritas. É o caso da Alemanha, da Espanha, da própria Argentina, que tem o Messi. O Brasil dessa vez seguramente não vai entrar na Copa como franco favorito, como entrou das outras vezes, mas as outras vezes ele entrou e perdeu. Quem sabe dessa... Eu acho que nós temos todas as condições de fazer um bom trabalho e levar esse caneco. Não é nem levar esse caneco porque vai ser em casa, mas levantar o caneco aqui no Maracanã em 2014.



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